12 de set de 2014

A Menina Mais Fria de Coldtown, de Holly Black




Eu gosto de histórias de terror. Lembro-me de, bem jovem, ler Cemitério Maldito, de Stephen King, e não conseguir fechar os olhos de medo quando me deitava para dormir. Claro que, com o passar dos anos, foi ficando cada vez mais difícil encontrar histórias que realmente assustassem, mas continuei curtindo os bons livros com personagens sobrenaturais e que pudessem me despertar sentimentos como os vividos ao ler a obra de Stephen King. E, nesse meio tempo, surgiram os vampiros. De uma hora pra outra eles se tornaram populares, infestando os livros juvenis e, com isso, perdendo seu ar assustador. Culpa de Stephenie Meyer e sua saga Crepúsculo, sem dúvidas. 

Por isso, foi com interesse que me peguei folheando as páginas de A Menina Mais Fria de Coldtown, lançamento da Editora Novo Conceito no Brasil. A capa, não tão óbvia e fugindo do romantismo para cima dos vampiros, e a sinopse interessante prometiam uma história bem diferente da vista na aclamada série dos vampiros que brilhavam ao sol. E, preciso confessar: Holly Black, a autora, fez a lição direitinho e nos entrega um livro envolvente e que faz justiça aos bons e assustadores livros sobre vampiros.

A trama de A Menina Mais Fria de Coldtown é interessante: assim como em Morto Até o Anoitecer (livro que deu origem a série True Blood), os vampiros "saíram do armário" e são conhecidos pela humanidade. Mas aqui, as criaturas das trevas, apesar de eventualmente glamourizadas, são temidas e invejadas. Quando o primeiro grande surto de vampirismo surgiu nos EUA, a decisão do governo foi prática: cercar a região com muros intransponíveis e prender tudo dentro deles. Surgia assim a primeira Coldtown, que nada mais é que uma cidade-prisão cercada onde vivem vampiros e pessoas que os admiram e não tem problemas em fornecer do próprio sangue para alimentá-los, com esperança de um dia se tornar um deles. 

Tana, nossa personagem principal, tem uma histórico tenso com vampiros. Quando era criança, sua mãe foi infectada e, em um acesso, quase a matou. Ela cresceu ao lado do pai e da irmã mais nova e, quando o livro começa, ela é a única sobrevivente, ao lado de seu ex-namorado, de um ataque de vampiros a uma casa de fazenda no interior dos EUA. Com o ex-namorado infectado e na companhia de um vampiro centenário, ela parte rumo à Coldtown mais próxima e é através de seus olhos que acompanhamos o desenrolar dessa história.

Os vampiros de A Menina Mais Fria de Coldtown são cruéis e interessantes. São tradicionais, no que diz respeito aos mitos: eles pegam fogo se expostos ao sol, tem problemas com alguns artefatos religiosos e, claro, se alimentam de sangue. Entretanto, para ser transformado em um deles, a pessoa precisa ser mordida, sobreviver a isso e, infectada com o vírus, se alimentar de sangue humano. Somente assim a pessoa morre e retorna à vida como vampiro. Se não se alimenta de sangue, a pessoa fica apenas Resfriada, em um processo que pode ser revertido se houver uma clausura de aproximadamente oitenta e oito dias sem sangue humano como alimento e de muito sofrimento.

Com personagens bem escritos, Holly Black é hábil em manter nosso interesse na leitura. Tana é fascinante, assim como Aidan (o ex-namorado) e os demais personagens secundários. Mas é Gavriel, um vampiro centenário, quem mais chama nossa atenção. Saber como ele se tornou vampiro e qual o seu objetivo indo até Coldtown é um dos motivos que nos fazem querer virar uma página atrás da outra, ansiosos por mais capítulos centrados no personagem.

Bem amarrado e com um final muito interessante, A Menina Mais Fria de Coldtown é leitura obrigatória para os fãs de um bom romance sobrenatural e que não subestima a inteligência dos leitores. Holly Black acaba de entrar na minha lista de autores que merecem ser acompanhados de perto.

E você, vai resistir aos seres sobrenaturais de A Menina Mais Fria de Coldtown? Permita-se a viagem e aproveite um drink com gosto de sangue! 

A Menina Mais Fria de Coldtown
Autora: Holly Black
Páginas: 384
Editora: Novo Conceito

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

LuDantas disse...

estava em duvida em comprar esse livro..
Depois da sua resenha, comprarei com crtz.. sou apaixonada por historias c vampiros.. *-*

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