23 de set de 2014

#BaúPop: Filadélfia



O preconceito sempre esteve presente em todos os campos da sociedade e, talvez não por maldade e sim por medo do desconhecido, normalmente as pessoas temem o que não conseguem compreender.

No início dos anos 90, a AIDS era uma grande incógnita para o grande publico, e já colecionava vítimas pelo planeta. Famosos como Freddy Mercury (morto em 91) e Cazuza (morto em 90) foram cedo demais, junto com diversos outros artistas e desconhecidos, seja pela falta de informação, pela falta de sorte em transfusões ou pela irresponsabilidade sexual ou com as drogas. Mais do que isso, a AIDS era conhecida como a condenação gay, a peste a que todos os homossexuais estavam fadados por sua ‘depravação’. Algo absurdo, óbvio. 

No ano de 1993 estreava Filadélfia (Philadelphia, no título original), que tratava exatamente destes assuntos já citados acima. No enredo do filme, um jovem advogado Andrew Beckett (Tom Hanks) que trabalhava para uma grande corporação é demitido subitamente, com a alegação de ter perdido documentos de um caso muito importante. Entretanto, essa justificativa é apenas uma desculpa que seus empregadores encontraram para despedí-lo, visto que descobriram que o mesmo era homossexual e soropositivo. 

Disposto a recorrer de seus direitos, Andrew decidi processá-los e recorre a diversos advogados, porém todos recusam sua causa veementemente. Logo Joe Miller (Denzel Washington), um advogado trabalhista negro extremamente homofóbico, decide comprar sua briga e, juntos, enfrentam não apenas um império da lei, mas também os preconceitos pessoais de cada um. 


O interessante é que o filme explorou ao menos três grupos que sofreram e até hoje sofrem preconceito: primeiramente, os homossexuais e soropositivos que, naquela época eram mais discriminados do que hoje, e depois a escolha de um advogado negro, sendo que nos Estados Unidos sempre houve forte discriminação e preconceito com estes que, por muito tempo, foram minoria social.

Outra coisa que foi muito importante para o grande sucesso do filme foi o diretor Jonathan Demme que estava em evidência na época, pois acabaras de ser premiado com cinco Oscars por O Silêncio Dos Inocentes

Filadélfia apresentou de forma clara a realidade que atingia os anos 90, com a discriminação, a irracionalidade e, principalmente, a falta de informação que as pessoas tinham a respeito do HIV. Isso fica claro em uma cena que Miller (Washington) recebe Andrew (Hanks) em seu escritório e, depois de cumprimentá-lo e atendê-lo, logo liga para seu médico e pede para ser atendido naquele instante, com medo de ter contraindo o vírus por tocar e estar no mesmo ambiente que um soropositivo. 

O longa se mostrou muito esclarecedor no sentido da desconstrução de mitos, ou seja, muito se falava sobre a AIDS e pouco se entendia. Por vezes o filme se mostra tedioso, porém, a justificativa se cabe ao teor educacional que é o argumento para o filme, que nada mais é que desmoralizar pré-conceitos já estabelecidos por pessoas ignorantes no sentido literal da palavra. Argumento que foi explorado recentemente no aclamado e também vencedor do Oscar Clube de Compras Dallas


As atuações de Tom Hanks e Denzel Washington são outro grande destaque do filme. Hanks cria um personagem cativante, sensível e que faz com que o público enfrente sua briga com se fosse a própria; sua atuação foi tão boa que lhe rendeu o seu primeiro Oscar. Denzel também cria um personagem forte, enérgico e que no desenrolar da trama mostra seu valor. Vale ressaltar também a participação de um jovem Antonio Banderas que faz o papel de companheiro amoroso de Hanks. 

E não poderia deixar de comentar sobre a excelente música tema do filme, Streets of Philadelphia, de Bruce Springsteen, que é, simplesmente, mágica. A canção (premiada com o Oscar) revela toda a relação do filme e, da mesma maneira, exibe a depressão, tristeza e solidão da personagem principal. De um jeito semelhante, a Philadelphia, de Neil Young, transmite todo o sentimentalismo, ainda glorificando o amor fraternal ("Philadelphia, city of brotherly love..."). 

Por tudo o que foi e que representou e ainda hoje representa, Filadélfia merece estar aqui em nosso #BaúPop.

Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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1 comentários:

Shirley disse...

ma-ra-vi-lho-so este filme, assisto sempre que passa, nem que seja um pedacinho! adoro o pedido do denzel pras pessoas facilitarem as coisas: "me responda, como se eu tivesse 6 anos". e a mary steenburgen tbm esta ótima como a advogada que queria tudo, menos estar naquele julgamento. tudo é perfeito neste filme, que, pra mim, marcou fortemente as carreiras do denzel washington e do tom hanks. abraço e parabéns pela resenha! ;-)

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