11 de set de 2014

#DocPop: Keanu Reeves, A Brisa Fria Sobre As Montanhas




De astro de comédias adolescentes à filmes de ação, passando por dramas existencialistas, Keanu Reeves se tornou ao longo do tempo uma persona inigualável em Hollywood. Pode não parecer, mas ele chega aos 50 anos com uma carreira sólida, repleta de altos e baixos, mas que sempre foi marcada por escolhas que mostravam sempre um homem em busca de tentar entender melhor seu papel no mundo.


Keanu Reeves nasceu no Líbano. Seu pai foi preso por tráfico de heroína quando ele tinha apenas 3 anos de idade e ele ficou anos sem vê-lo. Sua mãe se mudou de lugar diversas vezes, até que ele pode fixar-se no Canadá, onde foi criado pelos avós. Nunca gostou da escola, mas gostava de hóquei e acabou conhecendo o teatro ainda criança e uma nova paixão surgiria em sua vida. Fez alguns comerciais de TV até parar no cinema.

Foi justamente no fim dos anos 80, ao aparecer no longa-metragem Ligações Perigosasde Stephen Frears,  que começou a chamar atenção do público. Mesmo aos 25 anos, mantinha o ar adolescente que o fez estrelar o divertido Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica e a comédia Parenthood, ao lado de Steve Martin. 

Bem no começo dos anos 90 estrelou Caçadores de Emoção, onde fazia um agente do FBI infiltrado numa gangue de surfistas liderada por Patrick Swayze. O filme fez imenso sucesso, mas Keanu talvez não quisesse ficar estigmatizado por personagens do tipo, tanto que no mesmo ano topou fazer a continuação de Bill & Ted e estrelar o drama independente Garotos de Programa ao lado de River Phoenix, de quem se tornara grande amigo. Em Garotos de Programa, de Gus Van Sant, Keanu intercalava angústia, frieza e uma certa apatia que se tornou muito presente em diversos de seus personagens. Neste mesmo ano fundou a banda Dogstar, em que tocava baixo.


Velocidade Máxima, de 1994.

A versatilidade de Keanu pode ser vista anos depois em grandes produções como Drácula de Bram Stocker, Muito Barulho Por NadaO Pequeno Buda e Caminhando nas Nuvens. Porém, pode ser dito com certeza, que foi o arrasa quarteirão Velocidade Máxima que deu a ele o status de grande estrela, status que, por sinal, ele parece nunca ter buscado. Tanto que recusou fazer a continuação do filme (ainda bem pra ele, por sinal) para estrelar outro sucesso O Advogado do Diabo onde, dizem, chegou até a reduzir seu salário para que Al Pacino pudesse estar no filme.

Mas, mesmo realizando filmes mais alternativos, onde tentava mostrar que era mais que um rosto e um corpo bonito, eis que surge 1999 e Keanu Reeves resolve brilhar num filme de diretores desconhecidos. Matrix, dos irmãos Wachowski, se tornou não apenas o filme do ano, mas também um dos grandes filmes daquela década. O filme venceu todos os Oscars a que foi indicado e Keanu se tornou o grande astro do momento e um dos grandes nomes da década em Hollywood.

Entretanto, sua carreira podia ir de vento em popa no cinema mas, pessoalmente, as coisas não estavam indo tão bem. Ele enfrentava diversas perdas nesta década que o transformara num ícone, como a morte do amigo River Phoenix, em 1993, e, em 1999, bem no ano de Matrix, sua namorada, Jennifer Syme perdeu a filha do casal, que nasceu prematura e não resistiu. Dezoito meses depois, Jennifer foi vítima de um acidente automobilístico e também veio a falecer.

Matrix, de 1999.

Em 2001 Keanu voltou a trabalhar com Charlize Theron, com quem estivera em O Advogado do Diabo, para brilhar no romântico Doce Novembro. Nos anos seguintes, Keanu fez mais dois grandes sucessos com temas bem distintos: a comédia Alguém Tem que Ceder, ao lado de Diane Keaton e Jack Nicholson,  e a adaptação dos quadrinhos Constantine. Além disso, voltou a trabalhar com Sandra Bullock, a co-protagonista de Velocidade Máxima, em A Casa do Lago.

Recentemente Keanu produziu um documentário chamado Side by Side, onde entrevista diretores como James Cameron e Martin Scorsese sobre a migração da película para o cinema digital. Dirigiu também O Homem do Tai Chi, bastante elogiado por John Woo, e agora se prepara para mais um filme de ação, John Wick, em que ele faz um assassino obrigado a perseguir um amigo que lhe tem como alvo. 

Um fato interessante é que mesmo tendo recebido, em 2005, uma estrela na Calçada da Fama de Los Angeles, Keanu Reeves é mesmo um astro bem atípico. Ao contrário de seus outros colegas que vivem em mansões de Beverly Hills, Miami ou Nova York, Keanu parece não se importar com estas coisas. Tanto que ele nem possuía casa e vivia de lá pra cá, perambulando por hotéis ou casas alugadas. Apenas em 2003 comprou um casa modesta nos arredores de Hollywood e um apartamento em Nova York. Outro fator curioso sobre o astro é que dos 70 milhões de dólares que recebeu para fazer as continuações de Matrix, ele doou grande parte para a equipe de efeitos especiais porque segundo ele já tinha dinheiro suficiente. Além disso, com o salário que recebe pelos filmes que faz, ele ajuda uma instituição de caridade para pessoas com câncer e várias outras que ele prefere manter sob anonimato.

Keanu Reeves chega aos 50 anos com fôlego de um adolescente, mas com a maturidade de um ancião e, quem sabe, talvez tenha descoberto a tal brisa fria sobre as montanhas que é o significado do nome que o batiza.

Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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1 comentários:

carlos viana disse...

Excelentes, Keanu Reeves e a matéria. Parabéns.

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