18 de set de 2014

Todo Dia, de David Levithan





Eu me apego a autores. Se leio um livro e gosto do estilo narrativo de seu autor, certamente procurarei saber um pouco mais sobre ele e suas outras obras. Porque, se algumas vezes um bom livro é apenas um golpe de sorte, na maioria dos casos, o sucesso de uma obra literária se deve ao talento de seu autor para contar uma história. Foi exatamente por isso que pesquisei mais sobre David Levithan. Sua parceria com John Green em Will & Will - Um Nome, Um Destino me agradou tanto, que me vi curioso para conhecer mais sobre ele e me vi pesquisando sobre suas obras. E como agradeço por isso minha curiosidade, já que ela me levou até Todo Dia, um livro que já se encontra entre os meus preferidos da vida. E olha, eu já li muito para chegar até essa lista, viu?

A trama de Todo Dia é interesantíssima: A. é uma "pessoa" sem gênero e sem corpo. Desde que se entende por gente, sua vida funciona da seguinte maneira: ele acorda a cada dia em um corpo de uma pessoa diferente, sempre da sua faixa etária, e habita esse corpo por exatas vinte e quatro horas, nunca repetindo um mesmo hospedeiro e tentando a todo o custo não fazer nada que modifique a rotina dessas pessoas que nem mesmo percebem que acabaram "perdendo" um dia inteiro de suas vidas para que A. continuasse a viver. Até que um dia A. acorda no corpo de Justin e, no que seria um dia normal, conhece Rhiannon, a namorada de seu hospedeiro. Mas acaba se apaixonando por ela e quebrando todas as suas próprias regras para tentar viver esse amor.

Contando com uma ampla pesquisa, Todo Dia te conquista desde as primeiras páginas. A história é tão envolvente e seus protagonistas tão interessantes, que você não consegue desgrudar das páginas do livro. Afinal, o que vai acontecer com A. no dia seguinte? No corpo de quem ele acordará? Como ele consegue viver assim, sem fazer perguntas para as quais nunca terá uma resposta?

Filosófico e profundamente bem escrito, Todo Dia é preciso e detalhista. Entre os corpos que A. acaba ocupando, estão o de uma jovem com depressão profunda, o de um adolescente obeso, o de um viciado em drogas e o de uma garota absurdamente bonita. E a cada capítulo, A. tem de lidar com as limitações e possibilidades que cada um desses corpos proporcionam a seus donos e, consequentemente, a A., que ficará neles por um dia. 

David Levithan mantém nosso interesse em uma história que apenas cresce a cada capítulo. Os dilemas de A. e as confusões em que acaba se metendo para ficar próximo a Rhiannon são fascinantes. E quando a jovem descobre o segredo de A. é fácil entender a surpresa e incredulidade dela para com a história, ao mesmo tempo em que torcemos para que ela se convença logo da "realidade" daquela situação.

Assim como em Will & Will, David Levithan mostra-se aqui também um escritor hábil em criar tipos diversos sem julgá-los. E a sexualidade está presente na trama de Todo Dia sem esteriótipos ou preconceitos. Por A. não ter um sexo definido e acordando a cada dia em um corpo diferente, hetero, trans, gay ou bi, as possibilidades narrativas são absurdas e David Levithan evita a armadilha de criar uma trama idiota e recheada de preconceitos. Ao invés disso, suas frases exalam naturalidade e é muito fácil nos tornarmos empáticos à maioria de seus personagens.

Todo Dia é um livro lindo e que me disse muito em cada uma de suas páginas. Eu ia avançando na leitura, ansioso para chegar ao fim da história e chateado porque ao terminá-la eu não teria mais a companhia daqueles personagens. E, confesso, há muito eu não me importava tanto com personagens como me importei com A. e as pessoas que o rodeavam.

Por isso, é com prazer que indico verdadeiramente Todo Dia para qualquer fã de uma boa história e que esteja com vontade de se apaixonar por um autor e seus personagens. Não tenha dúvidas: Todo Dia vai continuar com você, mesmo tempos depois de ter terminado de lê-lo.

Autor: David Levithan
Páginas: 280

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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