16 de out de 2014

#BaúPop: Gente Como a Gente



Robert Redford provavelmente nunca quis ser apenas um galã de cinema. De fato, sua beleza o ajudou em sua carreira e ele pode fazer filmes que o tornaram poderoso em Hollywood. Mas, ele já havia provado ser um excelente ator quando decidiu, em 1980, passar para o outro lado das câmeras. Talvez o que ele não imaginasse, era que ia se dar tão bem em seu primeiro filme como diretor. Espere. Eu disse talvez e, vindo de um homem como Robert Redford, talvez ele soubesse sim o que estava fazendo quando se aventurou nessa área.

Vamos lá. Ele tinha um excelente roteiro nas mãos e, na época, dramas familiares lotavam as salas de cinema e davam vários prêmios aos seus realizadores. Entretanto, Redford precisava saber fazer com que o filme não fosse uma xaropada, um melodrama barato, tipo novela mexicana. Ele sabia como fazer e fez. Ele não apenas deu dignidade àquela história, mas sua direção é sensível e até hoje, pertinente.

Mas do que se trata Gente Como a Gente? Tanto o título original, Ordinary People, como a tradução brasileira dizem muito. Pessoas comuns, como quaisquer outras, gente como nós e que, de repente, em meio a uma grande tragédia, não sabem lidar com ela. Vejamos, estamos falando de uma família americana e abastada, aqueles que representam bem o tal american way of life e que nunca estão preparados para perder, mas aí vem o destino e PIMBA!  Assim, o rapaz vencedor morre deixando o irmãozinho caçula, aquele que ninguém presta muita atenção no meio de pais perplexos. É sobre o desenrolar desses fatos que aqui vemos um verdadeiro tour de force de Mary Tyler Moore e Timothy Hutton. O embate entre os dois é fantástico. Mãe e filho precisam rever toda a relação, desgastada há anos. Ela quer manter as aparências e ele se sente culpado pela morte do irmão. Sobra pro pai e pro coitado do psicanalista.


Com um bom roteiro e com atores que, vou usar um termo bem clichê aqui, se entregaram de corpo e alma aos personagens, Robert Redford soube conduzir muito bem seu primeiro filme.  E Mary Tyler Moore, bem, essa vai se desmascarando ao longo do filme. Que raio de mãe é essa que prefere um filho ao outro? Bem, a psicologia explica isso tudo, mas é Timothy Hutton que tem o papel mais difícil e delicado, já que tudo estava centrado em cima dele. Uma aposta arriscada do diretor, já que o jovem estreava no cinema e, provavelmente, foi por isso que o escalou. Sua naturalidade em frente às câmeras é nítida.

Gente Como a Gente venceu os Oscars de  Melhor Filme, Melhor Diretor (Robert Redford), Melhor Ator Coadjuvante (Timothy Hutton, merecidíssimo, por tudo que já disse aqui) e Melhor Roteiro Adaptado. Sobre os prêmios, acho que a academia foi até longe demais premiando Redford logo em seu primeiro longa. Veja bem, Gente Como a Gente é um bom filme, mas concorria com Touro Indomável, uma obra prima, mas aí, bem isso já é uma outra história...

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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