9 de out de 2014

Trash - A Esperança Vem do Lixo, de Stephen Daldry





Não se deixe enganar pelos cartazes de Trash - A Esperança Vem do Lixo, que estão espalhados por todos os lugares. Apesar dos rostos de Wagner Moura e de Selton Mello (certamente dois chamarizes para o público), não são eles os protagonistas dessa história, mas isso não é um problema e é até mesmo de fácil entendimento: conhecidos, os atores emprestam sua fama para um filme que, não fosse por eles, poderia passar despercebido devido a seus verdadeiros e adoráveis protagonistas não serem tão famosos como a dupla que estampa os cartazes.

Baseado em um livro homônimo de Andy Mulligan, a história de Trash - A Esperança Vem do Lixo, que originalmente se passava em um país subdesenvolvido qualquer,  é transportada para o Rio de Janeiro, onde os garotos Raphael, Gardo e Rato, que vivem próximos a um lixão, se vêem de cabeça em uma aventura alucinante: depois de encontrarem uma carteira no lixo, resolvem seguir um mapa do tesouro que encontram dentro dela, mas passam a ser perseguidos pelo policial Frederico, que trabalha para o corrupto político Santos. É claro que no meio desse processo, muita coisa irá acontecer.

Claramente pegando carona em sucessos recentes como Cidade de Deus e Tropa de Elite (e, porque não, de Avenida Brasil, já que o lixão do filme pode lembrar muito o da novela global) o novo longa é eficaz em provocar o espectador com uma trama envolvente e que fala sobre corrupção e honestidade, em um momento em que o Brasil e o Rio de Janeiro são palcos de uma campanha eleitoral que coloca em xeque os assuntos tratados na história. 


Dirigido por Stephen Daldry, apesar de protagonizado pelos jovens e iniciantes atores Rickson Tevez, Eduardo Luis e Gabriel Weinstein, o longa conta com um elenco luxuoso. Além de Wagner Moura e Selton Mello, vivendo um assessor que morre logo no início da história e um policial corrupto, respectivamente, vemos em tela Rooney Mara e Martin Sheen, que interpretam dois missionários americanos em trabalho voluntário na favela que rodeia o lixão da história. De maneira coesa, essa co-produção de Brasil e Reino Unido é uma trama universal e que conquista o espectador, muito pela inocência de seus principais personagens, que poderiam ser quaisquer garotos que vemos andando sem destino pelas ruas de qualquer grande cidade brasileira ou, porque não, mundial.

Mesclando momentos de tensão com outros que arrancarão gargalhadas do público, Trash - A Esperança Vem do Lixo pode se tornar um novo campeão de bilhetaria. E, se isso acontecer, será por méritos próprios, apesar de poder ser acusado de semelhança com outras obras famosas e recentes que, certamente, ainda estão na memória do espectador mediano. No fim das contas, isso é irrelevante, se levarmos em conta que o objetivo de qualquer filme é entreter e contar sua história, o que Trash faz muito bem. 

Por fim, não se furte da companhia dos loucos e adoráveis Raphael, Gardo e Rato. Se o destino sorriu para eles através do lixo, poderá fazer com que você se divirta com esses personagens incríveis e que serão uma agradável companhia durante toda a duração desse longa.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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