22 de nov de 2014

Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1, de Francis Lawrence




Desde seu primeiro filme, Jogos Vorazes vem se mostrando uma série cinematográfica que, a exemplo de sua original literária, apesar de investir em ação e conflitos que atraem um grande público juvenil, se propõe a discutir assuntos bem mais latentes que a simples diversão escapista. Desde o primeiro filme está lá a discussão política usando Panem e uma realidade distópica (mas que poderia tão bem ser a nossa!) como pano de fundo. A Esperança - Parte 1 (The Hunger Games - Mockingjay: Part 1, no original), novo filme da série, aprofunda o tema, enquanto avança para o aguardado final dessa série.

Com o final apoteótico do segundo filme, Jogos Vorazes: Em Chamas, com Katniss resgatada pelo Distrito 13, mas com Peeta e alguns vitoriosos deixados para trás, nas mãos da Capital, iniciamos o novo filme descobrindo, junto com a heroína da história, como o Distrito 13 sempre existiu apesar da mentira criada pela Capital. Governado a mãos de ferro pela Presidente Coin, o Distrito 13 usa a imagem de Katniss como rosto para uma revolução, atiçando os demais Distritos contra a Capital e preparando Panem para um guerra.

A Esperança - Parte 1 é, dessa forma, uma preparação de terreno para o que há de vir. Mais contemplativo que os demais filmes da franquia, temos sim cenas de ação, mas o lado psicológico dos personagens é mais trabalhado, principalmente o de Katniss, que se vê como principal atributo de um marketing para o qual não escolheu, mas que não tem como fugir. Uma nova Panem precisa de sua imagem e ela não pode se furtar de seu caminho, apesar de questionar essa condução e até mesmo seu papel nessa história toda.


Em um elenco estelar, é admirável ver que Jennifer Lawrence continua o principal pilar da trama. Sua Katniss Everdeen passa exatamente a medida de suas dúvidas e anseios e nós, que conhecemos sua história, ficamos totalmente empáticos aos seus dilemas. Entretanto, o filme ainda conta com um brilhante trabalho de Philip Seymour Hoffman, recentemente falecido, que aqui apresenta um de seus últimos trabalhos. Além da adição da sempre competente Juliane Moore ao elenco, vivendo a Presidente Coin, do Distrito 13.

Pautado em uma revolução que se aproxima e, principalmente, no embate entre Katniss e o Presidente Snow (Donald Sutherland, sempre bem), A Esperança - Parte 1 é um grande jogo psicológico em que a heroína ainda não entende bem o seu papel. 

Com um final brusco, como é comum em finais de franquia baseadas em um único livro, o longa abre bem o caminho para o desenrolar do próximo filme. E se A Esperança, o livro, não é o meu preferido da trilogia criada por Suzanne Collins, ele fecha perfeitamente bem a história criada pela autora. A franquia cinematográfica, se seguir os passos de sua original literária, como já vem fazendo, será, certamente, inesquecível.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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