25 de nov de 2014

Philomena, de Martin Sixsmith




Em fevereiro deste ano, fiz a resenha do filme  Philomenadirigido por Stephen Frears, baseado na obra de mesmo nome, livro inspirado na história real da irlandesa Philomena Lee. E, se vocês conferirem o que escrevi, verão que gostei bastante do longa de Stephen Frears, mas o livro... Ah, o livro!

O livro, escrito pelo jornalista Martin Sixsmith, é simplesmente uma maravilha. São 475 páginas de muita emoção. Filme e livro se complementam lindamente, são duas partes diferentes de uma mesma história.

Se no longa acompanhamos de perto a busca efetiva da já idosa Philomena pelo filho perdido há 50 anos, ainda cheia de esperanças, no livro, mergulhamos profundamente na vida emocionante, depressiva e fascinante de Michael Hess, nascido Anthony Lee, filho de Philomena. É pela procura incessante de Michael-Anthony por sua mãe que nos envolvemos durante as inúmeras páginas de Philomena.

No início dos anos 1950, a menina de família criada pelos tios, Philomena, envolve-se com um rapaz durante um passeio pelo parque de diversões. Ingênua, cai na lábia do sujeito e entrega sua virgindade à ele. Grávida, a família à manda para um convento especializado em receber moças solteiras que terão filhos e dar um "jeitinho" nelas. Nesse lugar, Philomena permanece até dar a luz, e convive com seu bebê durante os primeiros 3 anos de vida dele, criando um laço afetivo indestrutível com o filho. Mas, como era de praxe nesses templos comerciais de filhos de mães solteiras, disfarçados de casa de Deus, Anthony é arrancado dos braços e cuidados da mãe e entregue para ser adotado por uma família abastada dos Estados Unidos, os Hess. Deixando para trás sua mãe verdadeira e sua terra natal, a Irlanda.

Doc e Marjorie Hess é um casal americano, pais de três filhos meninos, que resolvem adotar uma criança do sexo feminino. Para isso contam com a ajuda do padre Loras Lane, irmão de Marjorie (Marge). O sacerdote leva a irmã até o convento de Roscrea, na Irlanda. Lá, ela se interessa pela menina Mary. Mary é filha de Margareth, uma das companheiras de convento de Philomena, ela é um ano mais nova que Anthony, e os dois são extremamente apegados, convivem como verdadeiros irmãos inseparáveis. Ao observar Mary e já decidida a adotá-la, Marge nota o quanto Anthony e ela são agarrados, e como o garotinho de 3 anos é bonito, gracioso e esperto. Temendo que longe do amiguinho, Mary sofra demais com a separação, e já completamente conquistada pela doçura do bebê de Philomena, após consultar o marido relutante com a ideia, Marge também adota o garotinho de cabelos negros, olhos azuis e bochechas rosadas.

Ao ter arrancado de sua vida seu maior tesouro, Philomena sofre uma dor difícil de mensurar, mas não é sua jornada que acompanhamos nas páginas do livro, como já dito, e sim a de Michael-Anthony Hess. Detalhadamente, acompanhamos todo o processo de Michael, rebatizado pelos pais adotivos, da infância à adolescência e juventude, até chegar a maturidade. Pela escrita minuciosa de Martin Sixsmith, consegue-se sentir cada emoção da vida de Michael, como criança subserviente, adolescente confuso descobrindo a homossexualidade, jovem rebelde revidando todos os abusos e grosserias feitos pelo pai, e homem maduro, bem sucedido profissionalmente, rico, casado com um homem bom, mas nunca, jamais sem pensar em sua mãe biológica e procurá-la incansavelmente.

Através da leitura de Philomena, entendemos que apesar de ser um homem muito bonito, inteligente, que atingiu um alto cargo na política americana, como conselheiro-chefe do Partido Republicano e sempre esteve rodeado de amigos e amantes que o amavam e admiravam, Michael era uma pessoa atormentada pela falta da mãe que o gerou, um ser angustiado e incompleto pelo vazio imensurável que carregou ao longo de toda sua vida e que tanto mal lhe fez.

A história de Philomena é triste, revoltante, de deixar nó na garganta. Mas também é linda, porque nos prova que existe no mundo um amor maior que tudo. Um amor que nada nem ninguém pode destruir, ganância, maldade humana, nem mesmo a morte. Um amor que nem precisa dizer seu nome, porque a gente sabe qual é.

Assista o filme e leia o livro ou vice-versa, você vai chorar de qualquer jeito.

Autor: Martin Sixsmith
Páginas: 476
Editora: Verus

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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