10 de dez de 2014

#DocPop: Daniela Perez, Uma Vida Roubada





No próximo dia 28 de dezembro, faz 22 anos que uma promissora estrela da televisão brasileira deixou o brilho dos holofotes para brilhar no firmamento. Daniela Perez tinha apenas 22 anos e começava a sentir o doce sabor da fama e do sucesso, ao dar vida a carismática e popular personagem Yasmin, na novela De Corpo e Alma, em 1992, quando foi brutalmente assassinada com 18 tesouradas, que lhe perfuraram o pescoço, o pulmão e o coração. Seus monstruosos algozes foram Guilherme de Pádua - ex-ator e parceiro de cena, que atuava na mesma novela, fazendo seu ciumento e possessivo namorado Bira - e a esposa dele, Paula Thomaz. 

Daniela Perez Gazolla era filha da famosa novelista Glória Perez e esposa do ator Raul Gazolla, que conheceu em 1989 durante a gravação de uma pequena participação como elenco de apoio na novela Kananga do Japão, da TV Manchete. Na novela, ele interpretava o protagonista, que era um exímio dançarino, e na cena que fez com ela, os dois rodopiavam pelo salão numa casa de dança (cena aqui). A partir de então se apaixonaram e casaram-se no ano seguinte. 

Daniela, que também era dançarina profissional, ganhou de sua mãe uma personagem pequena na novela Barriga de Aluguel, em 1990. A personagem Clô era uma bailarina na casa noturna onde a protagonista de Cláudia Abreu trabalhava e, aos poucos, foi ganhando mais espaço na trama, o que lhe rendeu um convite para a novela das oito de Gilberto Braga no ano seguinte, O Dono do Mundo (atualmente reprisada pelo canal à cabo VIVA, à meia-noite com reprise às 13:30, de segunda à sábado, pra quem quiser matar a saudade ou conferir pela primeira vez a performance de Dani), seu primeiro papel de destaque na TV. Ela era Yara Maciel, mocinha de família rica, filha de Stênio Garcia e irmã da protagonista vivida por Glória Pires, seu par romântico era Marcelo Serrado. Este trabalho teve uma importância especial para Daniela, pois recebeu o convite sem precisar da interferência da mãe. 

Contudo, em 1992, Glória Perez voltava a escrever uma novela das oito, após 8 anos ausente do horário nobre Global. Este retorno tinha um gosto especial para Glória, que elaborou uma trama linda, com um forte e apelativo merchandising social sobre transplante de coração, juntando a isso, como lhe é de costume, outro tema instigante e completamente oposto, o Clube das Mulheres, bastante em voga na época. Com De Corpo e Alma, Glória Perez presenteou a filha querida com uma das melhores personagens da história. Yasmin era bonita, sensual, abusada e cativante, o tipo de personagem bem popular que apaixona o povão. Chegava a ser mais popular e carismática que a mocinha vivida por Cristiana Oliveira, sua irmã na trama. Lembro que na época nasceram dezenas de Yasmins pelo Brasil afora em homenagem ao papel de Daniela. 


Nessa novela, Daniela era apaixonada pelo personagem de Fábio Assunção, seu grande amor. Mas, por ele ser de família rica tradicional, médico recém-formado e filho de uma megera que fez de tudo pra separá-los, Yasmin desiste e resolve dar uma chance ao insistente Bira, papel de Guilherme de Pádua, porém o cara é um ciumento possessivo e agressivo e, como Yasmin é livre, só faz o que quer e não leva desaforo pra casa, os dois vivem às turras. Bira era machão, grosseirão e suburbano e pelo que parece, Guilherme levou a paixão possessiva do personagem para a vida real. 

Glória Perez fez uma declaração na época, dizendo que sentia que o ator pintava o personagem com cores mais fortes do que pedia a sinopse, imprimindo à ele uma agressividade que não existia, era algo que a incomodava, mas ela, jamais imaginando que ele poderia ser um psicopata, acreditava tratar-se apenas de inexperiência profissional. 

Então, Guilherme de Pádua se apaixonou pela colega de trabalho Daniela Perez, e ao ser rejeitado por ela, num ato insano, assassina-a friamente. A ajuda da esposa Paula se dá, pelo fato dele inverter a situação e contar a ela a versão de que estaria sendo assediado por Daniela, e numa última e desesperada tentativa de ver-se livre de tal assédio acabou matando-a. Essa foi a versão da polícia na época, mas houve outras, maldosas; porém, independente da verdade dos fatos, nada justifica tamanha monstruosidade. 

Daniela era jovem, graciosa, meiga, cheia de talentos. Indicada a revelação do ano pelo Troféu Imprensa em 1993, despontava em uma trajetória que certamente seria coroada por muitos trabalhos cativantes. Nos cinco meses que ficou no ar em De Corpo e Alma, Daniela conquistou o Brasil, que chocou-se e chorou junto com Glória Perez, como se fosse a perda de uma filha, uma irmã, uma amiga muito amada, porque a menina que amava dançar despertava isso, esse sentimento fraternal, cheio de doçura. Eu me lembro da notícia de sua morte com uma nitidez assustadora, e lembro do quanto mexeu com minhas emoções de menino de apenas 11 anos (aliás, um fato curioso que descobri ao fazer a pesquisa pra este #DocPop e que me enterneceu mais ainda, é que Daniela Perez nasceu no mesmo dia que eu, 11 de agosto). Ainda poderíamos tê-la visto como a cigana Dara, de Explode Coração (1995), ou a muçulmana Jade, de O Clone (2001), como foi cogitado por sua mãe e pela imprensa à época do lançamento das novelas. Mas perdemos uma jovem estrela cedo demais, mais uma dentre tantas que já nos deixaram. 


Como desfecho para a saída de Daniela Perez de De Corpo e Alma, Glória Perez inventou uma viagem onde Yasmin ia estudar dança fora do Brasil, uma última homenagem em alusão à sua outra paixão, a dança. Abalada, Glória afastou-se por alguns dias da trama, sendo substituída por Gilberto Braga e Leonor Basséres. Guilherme de Pádua foi condenado, mas cumpriu apenas sete anos de reclusão. Glória Perez se revoltou e lutou o quanto pôde para que os assassinos ficassem na prisão pelo tempo determinado de 19 anos, porém não obteve sucesso. Resta agora esperar pela justiça divina, que de certa forma já está sendo feita, pois Guilherme de Pádua virou pastor de alguma dessas igrejas que exalam "amor" e, se Deus quiser, de lá não sairá nunca mais. 

Se viva, Daniela Perez estaria no auge de sua maturidade aos 44 anos de idade, esbanjando talento. Mas ficou em nossa memória como a linda e eternamente jovem promissora atriz, cheia de frescor e encanto. Daniela Perez ficou encantada!

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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5 comentários:

Serginho Tavares disse...

De fato ela era linda, jovial, doce. Uma perda irreparável!

MADDOXX disse...

Apenas para constar:

"No próximo dia 28 de dezembro, FAZ 22 anos que..."

Esdras disse...

Maddox querido, muito feliz que vc leu o texto e se atentou que o "FAZ 22 anos..." poderia estar incorreto, mas não está. O incorreto seria "FAZEM 22 anos..."

Bjs de luz!

MADDOXX disse...

Prezado Esdras,

No texto está escrito "FAZEM 22 anos" eu fiz a correção para FAZ 22 anos. Fique atento.

MADDOXX disse...

Por outro lado Esdras, vejo que quem escreveu o texto foi humilde o suficiente para corrigir tal erro. Isso é louvável. Alguns perguntariam quanto recebo para ficar corrigindo textos na internet. Apenas para constar
quando foi publicado estava escrito "FAZEM 22 anos", meu comentário foi para que fosse corrigido para FAZ 22 anos, e assim foi feito. Em momento algum eu disse o contrário.

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