24 de dez de 2014

Primeiras Impressões: Olive Kitteridge


Desde que vi as chamadas na HBO, fiquei esperando ansiosamente pela estreia de Olive Kitteridge. Escrito por Elizabeth Strout, o livro vencedor do Pulitzer foi teletransportado para TV em formato de minissérie em quatro episódios. 

A minisséire, assim como o livro, conta a história de moradores de uma pequena cidade do Estado do Maine, EUA, tendo como foco principal a carrancuda Olive Kitteridge. Ela vive com o marido, Henry, um farmacêutico simpático, e seu filho, Christopher, que gostaria de ter uma mãe mais compreensiva. Olive é uma professora de matemática do ensino médio extremamente rigorosa, que nunca escondeu as circunstâncias em que perdeu seu pai. Sua história se entrelaça com a das pessoas com quem convive ao longo de 25 anos, todas tentando lidar, à sua maneira, com suas tragédias. E isso me lembra uma frase da Nélida Piñon que disse certa vez:
"A gente não quer a tragédia, mas ela faz parte..." 
Desta forma, podemos entender melhor aquelas personagens. A tragédia que cada um vive é lidada de forma natural, é inevitável; portanto, os fatos, por mais tristes que possam ser, sempre existirão.


Assim, vemos histórias como a da jovem extremamente apaixonada e devotada ao marido que, de repente, se vê viúva e sem saber  o que fazer; o garoto que tem que cuidar de sua mãe esquizofrênica e, posteriormente, lidar com sua própria esquizofrenia; o professor de literatura apaixonado por Olive; e o homem que não sabe lidar com a homossexualidade da filha. Todas estas histórias são tocadas sem nenhum pudor e tudo isso pelos olhos da personagem central, que não enfeita as coisas que observa.

Olive Kitteridge não tem a doçura que poderia fazer com que essas histórias chegassem mais leves para o espectador. Muito pelo contrário, ela encara tudo como é, talvez até com mais crueldade do que deveria. Em determinado momento ela mesma observa:
"Estou apenas esperando o cão morrer para me matar!"
Claro que, somado a tudo isso, temos a naturalidade com que Frances McDormand expõe a personagem. Ao longo do tempo que a narrativa percorre, vemos tudo passar por ela, que não precisa de muitos artifícios. Mas ela não está sozinha no elenco, é claro. Ao seu lado, Richard Jenkins tem a difícil missão de servir de escada para atuação de Frances, e ela oferece o mesmo ao companheiro de cena, realizando uma troca maravilhosa, que também pode ser sentida pelos demais atores, principalmente Cory Michael Smith e John Gallagher Jr., em atuações primorosas e sem exageros.

Olive Kitteridge recebeu três indicações para o Globo de Ouro, entre elas, melhor atriz para Frances McDormand. Nem preciso dizer o quanto ela merece esse prêmio, não é?
Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
FacebookTwitter
-->

0 comentários:

Share