1 de jan de 2015

#BaúPop: Obrigado Por Fumar



No mundo em que vivemos atualmente, os fumantes não são bem-vindos/vistos. Não possuem mais o glamour nem o status quo de outrora. O mundo, que um dia propagou a ideia de que fumar era legal, hoje cospe no mesmo prato que comeu durante várias décadas. Culpemos a isso os enormes malefícios que os cigarros trazem a saúde. 

Indo na contramão do tema, Ivan Reitman adaptou o romance de Christopher Buckley e o levou às telas em 2005. Obrigado Por Fumar (Thank You For Smoking, no original), mostra de forma rápida e direta a história de Nick Naylor, homem bonito e charmoso, que tem como dom a capacidade de convencer a todos aquilo que defende com unhas e dentes, e neste caso, a indústria tabagista.

Nick é um homem divorciado que tem um filho entrando na adolescência. Ele não tem muitos amigos (na verdade apenas três que, como ele, defendem corporações polêmicas como a indústria do álcool e das armas) e o fato de pisar num terreno politicamente incorreto é que faz o filme ter graça.

Tudo ali pode soar como sendo irônico ou sarcástico, mas o que faz a diferença mesmo é a direção de Ivan Reitman, que dosa bem cada cena e cai como uma luva no resultado final. E o realizador é mestre nestas situações, haja vista sua carreira toda formada em cima de filmes, digamos, marginais ao que vemos no mainstream hollywoodiano. 


Obrigado Por Fumar mostra o quanto o poder de persuasão de uma pessoa pode manipular todo um sistema. Claro que ele se baseia em informações muito bem amarradas e é obvio que Nick gosta muito do que faz, caso contrário tudo teria ido por água abaixo. Não é um filme que diz para as pessoas como elas devem agir, ou que é legal fumar sim e você é bobo por não fazer isso, muito pelo contrário. O filme diverte por não fazer juízo de valor sobre o tema e sim por mostrar o que a capacidade de um discurso bem articulado pode provocar na sociedade. No caso, vemos como um discurso deliberativo e suas etapas foram construídas pelo roteiro. 

Com um elenco muito bem escalado, coube a Aaron Eckhart o papel mais difícil: passar credibilidade ao protagonista sem que ele parecesse maniqueísta. Ele consegue o feito e ainda faz com que sejamos levados a pensar que ele está correto, mesmo com tantos absurdos ditos pelo seu personagem. 

Dessa forma, Obrigado Por Fumar é uma obra imperdível, necessária em nossa lista dos filmes do #BaúPop.
Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
FacebookTwitter
-->

0 comentários:

Share