14 de jan de 2015

Invisível, de Andrea Cremer & David Levithan





Posso estar soando repetitivo, mas não tem jeito: David Levithan é meu novo xodó, aquele autor que eu quero devorar tudo que escreva e embarcar em suas tramas envolventes e bem construídas. Seja em seus livros solo (como o excelente Todo Dia e o bonitinho Garoto Encontra Garoto) ou em suas parcerias (como Will & Will, com John Green), David Levithan me conquista e me faz querer ler mais e mais sempre.

Em Invisível, último livro que li do autor, ele faz parceria com Andrea Cremer, ao narrar uma história incrível (em diversos aspectos) e arrebatadora: Stephen é um adolescente invisível. Ele nasceu assim, e passa seus dias sozinho no apartamento depois da morte de sua mãe. Sem saber os motivos que o levaram a não ter um corpo visível às outras pessoas, Stephen leva sua existência da forma que aprendeu, até que um dia é surpreendido por Elizabeth, sua nova vizinha que consegue vê-lo, a única pessoa no mundo a fazer isso.

Com uma pegada no sobrenatural, Invisível não é, de forma alguma, chato, muito pelo contrário. Queremos saber, desde o início, os motivos que fazem de Stephen uma pessoa invisível (o mesmo aconteceu comigo em Todo Dia, onde o protagonista não possui um corpo físico e acorda, cada dia, no corpo de alguém diferente, onde habita por exatas 24h; e é meio frustrante terminar suas páginas sem saber porque isso acontece). E quando descobrimos que toda a trama envolve um grande vilão capaz de lançar maldições e que existe uma legião de pessoas com poderes surpreendentes andando por Nova York, o livro consegue a proeza de ficar ainda melhor. 

Escolhendo o estilo narrativo que vem se tornando um hábito de diversos autores (e que, confesso, tem me cansado um pouquinho), cada capítulo é centrado no ponto de vista de um dos protagonistas. Ora acompanhamos a trama pela ótica de Stephen, ora pela de Elizabeth, mas sempre interessados no que está acontecendo na história, que empolga também graças aos seus personagens. Se Stephen e Elizabeth formam um casal bonitinho, o irmão gay de Elizabeth, Laurie, é um personagem incrível, com uma trama que por si só poderia render um excelente livro solo. Além disso, quando a rastreadora Millie e o vilão Maxwell Arbus surgem, é impossível largar as páginas de Invisível.

O interessante é que posso praticamente apostar que os capítulos centrados em Stephen foram escritos por David Levithan e os em Elizabeth por Andrea Cremer. Não tenho absolutamente nenhuma fonte confiável para garantir isso, entretanto, o estilo de Levithan salta aos olhos em cada linha que narra os acontecimentos pela ótica de Stephen. E eu já li bastante do autor para ousar achar que o conheço. Será?

Adorável, Invisível é uma leitura deliciosa e que, como é hábito de David Levithan e suas parcerias, não entrega um final óbvio e definitivo. Cabe ao leitor, com sua própria imaginação ter asas para imaginar como aquela trama poderia render além do ponto final. O que eu, como leitor, aprecio. E muito.

Autores: Andrea Cremer & David Levithan
Páginas: 322
Editora: Galera Record
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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