4 de jan de 2015

O Abutre, de Dan Gilroy





A "imprensa" policial é um mistério para mim. Não sei vocês, mas programas como Brasil Urgente e Cidade Alerta me enojam e, sinceramente, não sei como esse tipo de entretenimento, focado na miséria humana, pode fazer sucesso. Entretanto, os altos índices de audiência mostram que há algo errado comigo, provavelmente, que não suporto o sensacionalismo barato visto nesse tipo de programa.

O Abutre (Nightcrawler, no original), longa metragem americano, parte desse pressuposto (o interesse das audiências pela barbárie) para criar sua trama, onde acompanhamos o crescimento profissional de um ladrãozinho de quinta, Louis Bloom, quando decide se aventurar como cinegrafista de tragédias como assaltos e acidentes de trânsito. Em sua escalada, Louis percebe que quanto mais sangue melhor, mesmo que para isso tenha de passar a utilizar um pouco de sua própria (falta de) ética para conseguir os melhores closes e enquadramentos.



Estrelado por Jake Gyllenhaal, O Abutre é um filme que começa devagar, demora a engrenar, mas quando vemos, já estamos envolvidos em sua trama e nos perguntando até onde Lou é capaz de ir para conseguir seus objetivos. E, acredite, ele vai longe.

Por falar nele, o filme é todo de Jake Gyllenhaal. O ator vive um verdadeiro psicopata, desses realmente perigosos e que podem estar ao seu lado no dia a dia, em uma atuação arrebatadora e que, certamente, será premiada em breve, vide suas indicações a melhor ator pelo papel tanto no Globo de Ouro quanto no SAG Awards. Duvido que os votantes do Oscar se esqueçam dele.

Outra que também impressiona no filme é Rene Russo, uma atriz que apesar de conhecida, andava um pouco sumida. Sua personagem, Nina Romina, é uma produtora de televisão pouco ética, que quer a audiência a qualquer custo. Para isso, não se importa em adquirir o material de Lou, mesmo que para isso tenha de passar por cima de uma série de valores jornalísticos. 


Com uma direção precisa de Dan Gilroy, o filme tem uma fotografia escura, principalmente porque se passa quase que exclusivamente à noite, o que confere uma tensão ainda maior às aventuras de Lou e seu ajudante Rick (o também excelente Riz Ahmed). E, é claro, é mérito do diretor as tomadas envolventes do longa, todas muito bem realizadas.

Apesar de ficção, O Abutre tem aquela pegada na vida real que causa um certo incômodo. Afinal, quantas pessoas como Lou não existem à nossa volta, dispostos a tudo para ter sucesso na vida, custe o que custar? O que faz do filme ainda mais impactante e uma obra imperdível. 
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Unknown disse...

Ótima crítica. Concordo com tudo que foi dito, sempre gostei do Jake Gyllenhaal (apesar do Principe da Pérsia... rsrs) e acho que é hora de um reconhecimento maior. Vale muito a pena ser visto.

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