15 de jan de 2015

Oscar 2015: Indicações e Comentários



E na manhã de hoje, 15/01, a Academia de Artes e Ciências de Hollywood anunciou os indicados ao Oscar 2015, o prêmio mais badalado da indústria cinematográfica, que dez entre dez astros deseja por as mãos.

A novidade marcou a breve apresentação promovida pela instituição, com a presença dos jornalistas mais vipados do mundo. É que, ao contrário dos anos anteriores, todos os nomeados foram anunciados, enquanto antes apenas os prêmios mais importantes eram conhecidos nesta pequena cerimônia. Menos mal.

Dividido em dois tempos, pudemos ver primeiro os diretores J.J. Abrahms e Alfonso Cuaron anunciarem os prêmios técnicos, de animação e documentários. Entre eles, O Sal da Terra, sobre o renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Seu filho, Juliano Salgado, é um dos diretores, mas esta categoria é sempre muito disputada, portanto, é difícil fazer aqui qualquer previsão.

Para Melhor Longa de Animação, a surpresa foi a não inclusão de Uma Aventura Lego, até então o favorito da categoria, que deu lugar a Como Treinar Seu Dragão 2. Porém, foi bacana ver que não esqueceram da animação japonesa O Conto da Princesa Kaguya.

Eles também anunciaram os indicados para Melhor Canção e, entre elas, temos a favorita Glory (de John Legend e Common), do filme Selma, longa que retrata um momento crucial para os direitos dos negros nos EUA durante os conturbados anos 60; e Grateful, do filme Beyond the Lights, composta pela veterana Diane Warren, que já foi indicada seis vezes antes por canções como Because You Loved Me, How do I Live e I Don't Want To Miss A Thing.

Após um breve intervalo, Chris Pine e a presidente da Academia (que se atrapalhou ao ter que pronunciar os nomes dos indicados de língua não inglesa, tadinha) Cheryl Boone Isaacs, apresentaram então os prêmios mais importantes da noite e que costumam deixar o povo acordado até tarde.

Para Melhor Roteiro Original veremos Boyhood e Birdman dividirem as atenções, enquanto a disputa para Melhor Roteiro Adaptado está entre A Teoria de Tudo e O Jogo da Imitação.

Para Melhor Filme em Língua Estrangeira, nenhuma novidade. Ida (Polônia), Leviatã (Rússia), Tangerines (Estônia), Timbuktu (Mauritânia) e Relatos Selvagens (Argentina) foram os contemplados. Eu confesso minha torcida para o filme hermano.

No caso dos diretores, Alejandro Gonzáles Iñárritu (Birdman) e Richard Linklater (Boyhood) são os nomes mais fortes; eu ainda aposto no segundo e, talvez, a Academia pense que passar doze anos para se fazer um filme não é trabalho para qualquer um (de fato, não é mesmo). Porém, é impossível não citar aqui o digno trabalho de Wes Anderson à frente de O Grande Hotel Budapeste, que sabiamente soube conduzir com muito bom humor o trabalho do recepcionista do luxuoso hotel.

Entre as coadjuvantes, Meryl Streep celebra sua décima nona indicação por Caminhos da Floresta. Naomi Watts, sempre ótima, poderia ter concorrido por Santo Vizinho, ou Jessica Chastain, por O Ano Mais Violento; no lugar das duas entrou Laura Dern, por Livre. Mas nessa categoria, Patricia Arquette provavelmente deve se sair vitoriosa por Boyhood, desempenhando o papel de uma mãe divorciada tendo que cuidar de si e dos dois filhos.

Entre os homens coadjuvantes, nenhuma surpresa. Quem sabe, enfim, o ranzinza chefe do Peter Parker, ou melhor, J.K. Simmons, por Whiplash, sagre-se vencedor. O veterano ator vive um professor de música que motiva seus alunos através do medo e humilhação e, por esse desempenho, ele pode conquistar o lugar que há muito tempo merece: estar entre os grandes.

Entre as atuações principais as grandes surpresas foram os nomes de Bradley Cooper (por American Sniper) e Marion Cotillard (por Dois Dias, Uma Noite) na lista. Não que Marion não seja merecedora, ela sempre é, quem sabe até isso tenha sido uma mea culpa da Academia por não tê-la indicado por Ferrugem e Osso. Entretanto, foi uma pena não ver Jennifer Aniston (por Cake) e Jake Gyllenhaal (por O Abutre) entre os indicados por suas elogiadas atuações. Aliás, vale frisar que o filme O Abutre foi mesmo menosprezado, ficando de fora de categorias importantes como Melhor Direção e Melhor Filme. Uma pena.

Porém, se Julianne Moore não vencer por Para Sempre Alice, então a coisa vai ficar feia. Ela é a grande favorita e não vai vencer porque perdeu em anos anteriores, e sim porque ela é fabulosa e prova isso a cada trabalho que faz.  Neste filme, ela personifica uma professora universitária que descobre estar sofrendo de início precoce de Mal de Alzheimer.

Michael Keaton fez seu retorno a Hollywood no aclamado Birdman e pode se dar bem na festa como o ator que tenta voltar ao sucesso na Broadway nesta comédia irônica que parece rir dele mesmo. Mas vale lembrar que o ator tem pela frente dois grandes atores britânicos que merecem tanto quanto: Eddie Redmayne, por viver o gênio Stephen Hawkings em A Teoria de Tudo; e Benedict Cumberbatch, que personifica Alan Turing, outro gênio que decifrou o código de criptografia dos nazistas em O Jogo da Imitação. Todos em atuações arrebatadoras.

E por fim, chegamos ao último prêmio da noite. Um fato interessante é que a Academia não esqueceu do filme American Sniper, de Clint Eastwood, menosprezado pelo Globo de Ouro, por exemplo. O filme é sobre um experiente atirador que precisa lidar com o estresse do seu trabalho somado à sua vida pessoal. Entretanto, é mesmo Birdman e O Grande Hotel Budapeste os filmes com maior número de indicações, nove cada um. Os demais Boyhood, O Jogo da Imitação, A Teoria de Tudo, Selma e Whiplash devem dividir vários prêmios ao longo da cerimônia, uma boa forma de agradar a gregos e troianos.

Porém, enquanto os americanos se derretem por Boyhood o mundo se pergunta:
Quem vai vencer o Oscar esse ano? 
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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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