16 de jan de 2015

Primeiras Impressões: Mozart in the Jungle





Com a chegada de um novo ano, é época de estreias de novas séries nos canais americanos. E uma delas logo me chamou a atenção: Mozart in the Jungle. A série é baseada no livro de memórias Mozart in the Jungle: Sex, Drugs, and Classical Music, escrito pela oboísta Blair Tindall, que conciliava diversos trabalhos para construir a carreira profissional e se manter em Nova Iorque. Para isso, ela tocava na Filarmônica nova-iorquina e em orquestras de diversas peças da Broadway. E, para adaptar o livro, atores de primeira linha se unem em parcerias que até agora eu não acredito, fazendo com que essa selva na qual Mozart se encontra tenha habitantes improváveis e belíssimos de se ver. 


A trama acompanha diversos personagens músicos que buscam reconhecimento e melhor remuneração em shows, enquanto desviam atenção ao sexo, drogas e a tão sonhada chamada da Filarmônica. Talvez observada por um público mais restrito, posso adiantar que atrás da musicalidade carregada pelo universo das orquestras, dos maestros e do contemporâneo, e que a trama de Mozart In The Jungle consegue trazer os holofotes para o dia-a-dia desses personagens, suas dificuldades e conquistas, mesmo que do modo mais clichê possível. 

Regente da New York Symphony, o maestro Thomas (Malcolm McDowell) está se aposentando, ou melhor, meio que sendo aposentado, e ganhando um cargo de regente emérito. Adequar-se às novidades e modernizar-se é o motivo da mudança, e o que guia Gloria (Bernadette Peters), a presidente da instituição, a buscar o renome que acabou se esvaecendo. Para isso, ela contrata o concorridíssimo Rodrigo (Gael García Bernal), um maestro que pode ser considerado popstar. Extravagante, incandescente e indubitavelmente brilhante, ele vai de encontro à tradição ao revolucionar, para o bem e para o mal, o método de atingir a perfeição nas apresentações. Nesse ambiente conflitante e intenso, a jovem oboísta Hailey (Lola Kirke) tenta deixar sua marca e fazer seu nome. 


Gael García Bernal, o nome mais surpreendente do elenco, não teve espaço o suficiente para mostrar a que veio no primeiro episódio. E, nesse pouco espaço que teve, alternou entre o adequadamente bombástico e o exagerado. Espero que, caso a série prossiga, Bernal consiga encontrar o rumo da sua atuação e de seu personagem, para o bem da série e para me tirar um grande peso dos ombros, que é criticar esse ator genial. Não me entendam mal: Bernal estava ótimo, mas ele pode ser muito melhor. Rodrigo, uma clara ficcionalização do maestro popstar venezuelano Gustavo Dudamel, é uma síntese do que se tornou a música clássica para novos públicos hoje em dia: é preciso ser espetacular. Não só a música, mas também o maestro. E interpretar um personagem assim seria impossível para muitos atores. Bernal pode não ter encontrado o ritmo, mas a capacidade para isso ele tem. 

O piloto de Mozart in the Jungle, além de deixar na cabeça um conotativo gosto de quero mais, muito, muito, muito mais, foi efetivo em nos apresentar de cara o que cada personagem é, como pensam, do que se alimentam, o que os rege na vida, além do maestro. 

A trama possui um material excepcional e grande potencial. Ao menos me deixou curioso por acompanhar um pouco mais deste universo que trará o dia-a-dia competitivo dos músicos de Nova York. Resta torcer para que o piloto continue recebendo grandes notas do público.


Leandro Faria
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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