19 de fev de 2015

Carnaval Carioca 2015: o Enredo Patrocinado, as Polêmicas da Vez e Pílulas Diversas Sobre o Assunto




O carnaval é uma festa do povo, feita pelo povo para o povo mas, contrariando essa máxima, temos o desfile das escolas de samba que nada tem a ver com isso. Ou seja, é carnaval, mas o povo é apenas um mero detalhe ali no meio.

O desfile é em si um verdadeiro espetáculo. Principalmente no Rio de Janeiro, onde tomou uma proporção que faz com que muitos estrangeiros acreditem que nosso carnaval é só aquilo; claro que, em parte, porque como tem muito dinheiro em jogo, é mesmo o mais visto mundo afora. Nesse imenso espetáculo, as escolas de samba contam seus enredos e, se antes a ousadia era o que marcava o carnaval (vide Joãozinho Trinta, Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigue, Fernando Pinto e, claro, Rosa Magalhães, que por sinal é a única que está entre nós deste grupo de artistas), hoje temos o carnaval patrocinado, quer seja pela contravenção, tráfico de drogas e/ou armas e ditaduras africanas.

Mas quem sou eu para polemizar aqui, melhor mesmo deixar isso de lado, afinal, o carnaval cresceu de tal forma que fica difícil arrumar dinheiro pra colocar o bloco, ops, a escola na rua. E sem dinheiro não tem ousadia ou criatividade que consiga fazê-lo inesquecível. Desfile de escola de samba é coisa séria, não se deve brincar com isso; mas é carnaval, argumentam outros. Mas, como eu disse, uma coisa é carnaval outra coisa são os desfiles e ninguém quer jogar dinheiro fora.

Observando isso, vemos o quanto os desfiles da Cidade Maravilhosa tem ficado caretas. Para quem no passado cantou bumbum paticumbum prugurundum, ou, tem bumbum de fora pra chuchu, hoje as coisas ficaram politicamente corretas demais! Justamente porque o que importa é vencer o carnaval e, se os jurados têm dificuldade em aceitar ousadia e bom humor, vamos deixar isso de lado, é o que devem pensar os diretores artísticos das escolas de samba. Uma pena, perde o povo mais uma vez.


Todo esse texto para dizer que a Beija-Flor realmente não mereceu ganhar o carnaval do Rio. O título caberia melhor entre outras agremiações, como por exemplo, Salgueiro, Portela, Tijuca, Imperatriz, São Clemente ou Mocidade. Não digo que não mereça por causa da questão polêmica envolvendo o dinheiro que a escola usou para fazer seu espetáculo e sim porque houveram vários erros ao longo do desfile que os jurados não viram, assim como os comentaristas da Globo, que eu tenho sempre a impressão que não assistem o mesmo desfile que o público. Mais uma vez, o povo perde. Entretanto, o carnavalesco Milton Cunha e seus comentários ácidos e espirituosos fizeram a alegria de todos, oferecendo a informação e o bom humor que faltaram ao longo da transmissão e a salvando de um completo desastre.

Mas nem só de lamúria e desabafo existe esse texto. Se, por um lado a Globo errou, a Globo News teve muita competência ao mostrar o carnaval de todo o país, esse sim o carnaval do povo, ousado e criativo. A emissora se colocou dentro de cada bloco e interagiu com o verdadeiro folião. Foi muito divertido ver os repórteres da emissora caindo no samba, frevo e axé. Dez! Nota dez!

E como o reinado de Momo acabou e até a quarta-feira de cinzas já se foi (apesar de ainda ser carnaval em tantos pontos desse país), ficamos por aqui, ansiosos pela próxima folia ou pela próxima oportunidade de nos divertir. Afinal, o Pop de Botequim é feito disso: diversão e entretenimento, de todo e qualquer tipo.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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