23 de fev de 2015

Oscar 2015: Considerações Finais




O que esperar da festa mais badalada do cinema? Luxo? Glamour? Gente bonita e afetada? Se esperavam, a 87º edição do Oscar conseguiu, além de acrescentar um charme aqui e ali.

Neil Patrick Harris é um fofo, tem bom timing, mesmo com uma grande pressão para que ele superasse a comediante Ellen Degeneres, o que é uma grande bobagem por sinal. O ator conseguiu rir de si mesmo e da própria indústria, talvez por isso tenha arrancado poucas risadas da plateia. De qualquer forma, nada ofuscou o ator que fez um brilhante show de abertura, que deu o tom da festa e manteve o interesse do começo ao fim.



Digno de nota também foi o anfitrião se despir em referência ao filme Birdman e não ter vergonha nenhuma em surgir apenas de cueca no palco. Veja bem, estamos falando de Oscar, uma festa que tem tudo pra ser extremamente careta, mas que tenta sempre provar que fala a língua de todo o mundo. Mesmo sendo a Academia uma instituição complicada. Se num ano glorificam um filme como 12 Anos de Escravidão, no outro menosprezam Selma. Vai entender.

E vai entender também as transmissões da festa no Brasil que, mais uma vez, deixaram a desejar. A Globo desrespeitou o público, exibindo a festa pela metade, obrigando muita gente a correr para os streamings da vida. Já a TNT peca por mais uma vez entregar nas mãos do chato e preconceituoso Rubens Ewald Filho seus comentários. Lástima.


O número de injustiçados este ano foi bem grande; a festa feita por homens brancos para homens brancos, este ano mais ainda se evidenciou. As estrelas estavam deslumbrantes, principalmente as mulheres e, depois do lindo e engajado discurso de Patricia Arquette, fica a certeza que para os grandes executivos, as mulheres nesta industria servem apenas para serem bibelôs, já que possuem pouco poder e não ganham a mesma coisa que seus colegas homens. Um fato lamentável ainda em pleno século XXI que isto ocorra. Patricia pediu que as mulheres pudessem ganhar os mesmos salários, foi muito aplaudida e ganhou apoio das colegas, principalmente de Meryl Streep e Jennifer Lopez, que estavam sentadas bem a frente e puxaram o coro da indignação. 

Outro momento bonito foi quando a mega estrela pop Lady Gaga provou que é mais que isso ao interpretar canções do clássico A Noviça Rebelde, que completa 50 anos. Com certeza, a mais linda apresentação musical da noite. A cantora no final apresentou Julie Andrews que, emocionada, agradeceu o carinho e foi aplaudida de pé pelos colegas.



A cerimônia teve um bom ritmo. O cenário lembrava um dos indicados, O Grande Hotel Budapeste, os outros números musicais foram bem redondinhos e bem feitos, como os americanos sabem fazer. Porém, além desses momentos, nenhuma surpresa referente à premiação em si foi diferente do planejado. Todos os prêmios entregues foram os esperados.

E se você se pergunta, o que faz com que a festa mantenha o charme e o interesse ainda, eu respondo: Hollywood vive de criar astros e estrelas, não mais como era antes, claro, mas ainda há essa necessidade e é justamente no Oscar que essa indústria pode brilhar. Eles sabem fazer boas festas e esse deslumbramento ainda existe no imaginário das pessoas, o Oscar ainda o proporciona, sempre deixando no público aquela vontade de fazer parte de tudo aquilo.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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1 comentários:

Marcos Eduardo Nascimento disse...

A festa cumpriu o seu papel mais uma vez e vejo que a Academia eh um ser complicado, porque no ano passado elegeram 12 anos de escravidão e neste esqueceram quase por completo Selma. A apresentação de lady gaga será lembrada por anos a fio e a de Jennifer Hudson também foi primorosa. Julianne Moore finalmente foi reconhecida e corrigiram a falha gravíssima de indicações passadas. Partícularmente não gostei muito da atuação do Neil como anfitrião, exceto o número de abertura. No mais, o OSCAR continua a nos fascinar a cada ano.

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