21 de fev de 2015

Pop 5ive: Os Injustiçados do Oscar





Os prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood foram logo catapultados a prêmio máximo da poderosa indústria americana.  Entretanto, isso não quer dizer que o Oscar seja justo, já que o que importa é o marketing por trás de tudo aquilo e nunca a concepção artística. Para isso, temos os festivais de cinema europeus. De qualquer forma, é inegável que todos almejam a estatueta dourada com um homem desnudo e encorpado, de braços cruzados segurando uma espada feita de estanho e folheada a ouro quatorze quilates sobre um rolo de filme e que, até hoje, tem a origem de seu nome cercada por lendas a respeito.

Primeiro Bette Davis afirmava que ela havia dado o nome, ao dizer que ele parecia com o seu primeiro marido, porém, outras pessoas afirmavam que foi Margaret Herrick, a responsável pela biblioteca da Academia e diretora-executiva, que achou a estátua parecida com seu tio Oscar. O que derruba essa lenda é que ela nunca possuiu um tio com esse nome. Por fim, alguns afirmam que o responsável foi o jornalista Sidney Skolsky, o primeiro a cunhar o apelido, usando-o num artigo em 1934. O fato é que o nome pegou e eles começaram a usar oficialmente em 1939.

E amanhã, domingão, mais uma vez o mundo vai parar para saber quais são os melhores filmes, atores, atrizes, roteiristas, diretores, cenógrafos, figurinistas, maquiadores, músicos e técnicos nas mais variadas categorias. Amigos e, sobretudo, inimigos irão se aplaudir mutuamente na mais badalada festa do cinema.

Porém, como o Oscar é um prêmio concedido por mais ou menos sete mil votantes, ou seja, os membros da Academia (que nem sempre assistem todos os filmes e acabam sempre sendo influenciados pelos estúdios e prêmios anteriores como Globo de Ouro, por exemplo), injustiças sempre irão ocorrer. Esse ano não foi diferente. Lamentável não ver entre os indicados os nomes de Jennifer Aniston, Jake Gyllenhaal e Jessica Chastain, entre os atores. Pelo seu trabalho em Selma, a realizadora Ava DuVernay ficou de fora e Uma Aventura Lego não está entre as animações indicadas. Mas fatos assim sempre ocorreram ao longo de tantos anos.

Charlie Chaplin

Para começar temos o genial Charles Chaplin como um destes exemplos. Primeiro que ele mesmo também esnobava a Academia e, por isso, ela o esnobava de volta. Em 1929 ele foi congratulado pelo seu trabalho no filme O Circo e, apenas nos anos 70, receberia um prêmio especial pelo conjunto de sua obra. Outro fato interessante é que seu filme Luzes da Ribalta foi impedido de estrear em Los Angeles em 1952, porque Chaplin teve de responder por possíveis ligações comunistas. Sendo assim, o filme foi banido até 1972 quando pode então concorrer ao Oscar e vencer com a canção Limelight. Era uma espécie de pedido de desculpas. Porém, obras primas como Luzes da Cidade, Tempos Modernos e O Grande Ditador não venceram o Oscar de Melhor Filme porque nem sequer foram indicados a este prêmio. O próprio Chaplin também nunca venceu como melhor ator.

Alfred Hichcock

Alfred Hitchcock foi outro gênio incompreendido e esquecido pelos membros da Academia. O diretor de Quando Fala o Coração, Janela Indiscreta, O Homem que Sabia Demais, Um Corpo que Cai, Psicose, Os Pássaros, e outros, foi indicado cinco vezes, mas nunca venceu como Melhor Diretor, mesmo seus filmes sendo hoje considerados atemporais. Ganhou apenas da Academia um prêmio especial pelo seu trabalho em 1968.

Orson Welles

Orson Welles é um nome que também engrossa a lista de gênios que foi esnobado. Cidadão Kane está sempre em todas as listas como o melhor filme de todos os tempos, mas ele não foi considerado o melhor filme pelos membros da Academia, vencendo apenas o Oscar de melhor roteiro. Um dos motivos é que o filme retratava o magnata William Randolph Hearst de uma forma impiedosa e o magnata das comunicações da época não gostou e fez uma grande campanha contra Welles. Entretanto, Cidadão Kane entrou pra história junto com seu realizador pelos feitos inovadores na narrativa, cenografia, posicionamento de câmeras. Em 1971 ganhou um Oscar honorário.

Stanley Kubrick

Stanley Kubrick talvez nem tenha se importado com isso. Como diretor não venceu nenhuma vez e, estranhamente, seu único Oscar se dá pelos efeitos especiais de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Merecido, mas em se tratando de Kubrick é muito pouco, haja visto quem esteve por trás de obras primas como Spartacus, Doutor Fantástico, Laranja Mecânica, Barry Lyndon e O Iluminado.

Greta Garbo

E por fim temos a imortal, GretaGarbo. A atriz sempre personificou mulheres altivas que sofriam por amor, mas que lutavam sempre pelos seus ideais. Sua forte presença cênica é algo digno de nota até hoje. Impossível passar incólume por seu trabalho sensível e detalhista, em filmes como Mata Hari, Rainha Cristina, Anna Karenina, A Dama das Camélias e Ninotchka, entretanto, a sueca nunca venceu o Oscar. Em 1955 a Academia lhe concedeu um Oscar honorário, mas ela não compareceu à cerimônia.

Agora só nos resta mesmo esperar pelo Oscar 2015 e torcer que menos injustiças ocorram esse domingo. Façam suas apostas!

Leia Também:
Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
FacebookTwitter

/div>

1 comentários:

Marcos Eduardo Nascimento disse...

As grandes injustiças deste ano foram com Jessica e Tilda. Elas brilharam em O ano mais violento e o grande hotel Budapeste, respectivamente. Trabalhos fantásticos! Espero que corrijam a gravíssima falha com Julianne. Um beijo.

Share