4 de fev de 2015

Whiplash - Em Busca da Perfeição, de Damien Chazelle




Um dos oito indicados ao Oscar 2015 para melhor filme, Whiplash - Em Busca da Perfeição não trás nenhuma novidade em matéria de roteiro, mas é um arroz com feijão bem feito e muito gostoso. Tanto é assim, que em muitos momentos o longa me lembrou outro indicado ao Oscar, em 2011, o angustiante Cisne Negro. Embora menos sombrio, o plot de Whiplash é o mesmo: a busca da perfeição artística, que pode levar a uma obsessão sem limites, muitas vezes com resultados desastrosos.

Andrew Neiman é um jovem baterista de 19 anos que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana. Solitário, se dedica quase que integralmente às aulas no conservatório e aos ensaios em casa. Em meio a tanta dedicação, Andrew inicia um namoro com Nicole, o que o distrai momentaneamente de sua obsessão, até o momento em que o impiedoso e reverenciado mestre do jazz Terence Fletcher o descobre e convida-o para entrar na orquestra principal do conservatório Schaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos.

À partir de então, percebendo o potencial do jovem Andrew, o já nada agradável Fletcher transforma-se num verdadeiro carrasco para o garoto, com o intuito de extrair dele a perfeição de suas baquetas. Nesse intuito, Fletcher não poupa Andrew de suas grosserias, agressões e crueldade, criando uma relação abusiva com o baterista. O que leva Andrew a colocar em risco sua saúde física e mental, a ponto de terminar seu relacionamento com Nicole, pois ele não consegue pensar em mais nada além de seu objetivo profissional.


O longa suscita algumas questões: até onde vale a pena lutar por um sonho? Qual é a linha divisória entre sonho e obsessão? Vale a pena abrir mão de um sonho se ele te faz mal e viver frustrado e infeliz o resto da vida ou é melhor lutar por ele e vivê-lo até o fim, mesmo que isso lhe traga malefícios?

Eu sai do cinema mexido e com algumas dúvidas sobre se existe limite pra realização de um sonho profissional, um sonho de vida. Aquele que transforma você em quem realmente você é.

O filme de 1h e 46m é tão envolvente, que quando acabou fiquei com a sensação de "Já? Que filme curto!". Pois ele tem realmente um final abrupto. Acaba e você ainda espera pelo menos mais 30 minutos de história.

Whiplash - Em Busca da Perfeição tem ótimas atuações de Miles Teller, que merecia uma indicação ao Oscar, como o músico, e JK Simons, como o maestro, que ganhou o Globo de Ouro de ator coadjuvante e concorre ao Oscar na mesma categoria. A fotografia é muito bonita, nítida, luminosa, com closes fascinantes. A trilha sonora recheada de jazz da melhor qualidade, dispensa comentários. 

Mesmo com um final abrupto, o último ato é de arrepiar.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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