12 de mar de 2015

#BaúPop: Forrest Gump - O Contador de Histórias




Particularmente, gosto de filmes mais antigos e atribuo a isso o meu prazer em escrever o #BaúPop. Claro que não sou uma pessoa que vive somente no passado e, por isso, sei reconhecer quando coisas boas ao meu gosto surgem nos dias atuais. Mesmo assim, tenho uma “quedinha” por filmes antigos e o que irei comentar hoje é lindo, sensível e simplesmente tocante. 

Forrest Gump – O Contador de Histórias (Forrest Gump, no original), foi lançado no ano de 1994 e trazia Tom Hanks, ganhador do Oscar por Filadélfia, no ano anterior, filme que já foi comentado aqui no #BaúPop, como protagonista de sua história.

No filme, Hanks dá vida ao personagem título, um jovem simples e de aparência comum. Entretanto, no decorrer de sua história, Forrest sempre esteve envolvido nas grandes mudanças que aconteceram no seu país; seja de modo efetivo ou não, ele estava presente no que ocorria com a história americana. 

Poucos são os filmes que conseguem trazer uma narração convincente e, ao mesmo tempo, relevante. Em sua maioria, vemos vestígios do material original adaptado, livro ou conto, do qual os roteiristas não conseguem se afastar. Forrest Gump é uma dessas raras exceções. Claro que muito se deve a voz do carismático interprete, uma das melhores atuações de Hanks. Esse é um filme sobre destino e como somos conduzidos por ele ou, de certa forma, levados a ele. 

Essa temática fica clara logo nos primeiros minutos do longa, quando vemos uma pena sendo jogada de um lado para o outro pelo vento, até que pousa próxima a Forrest. O personagem então começa a contar sua incrível história de vida para a pessoa mais próxima, sentado em um ponto de ônibus. 


O “Contador de Histórias” é exímio nos diálogo curtos, muitas vezes para acentuar a falta de inteligência do narrador, outras, para deixar no ar, algum sentimento elevado desperdiçado ao longo do tempo. Sempre muito cômico é ver como Gump é bafejado pela sorte: ensina alguns passos de dança a um obscuro pensionista de sua mãe, chamado Elvis; flagra a invasão do edifício Watergate, que detonaria o presidente Nixon em 1972; representa os EUA em competições esportivas no auge da Guerra Fria; faz fortuna com barcos de pesca em um momento quando o setor está “quebrado” e, ainda por cima, investe em uma obscura empresa de frutas que tem como logomarca uma maçã. Por acaso seria a futura Apple Computers. 

Mas, o que fica de Gump é exatamente aquilo que ele não disse. O que soube deixar subentendido. Ao criticar a busca de salvadores da pátria, gurus e semelhantes, passa a correr e, como por encanto, ganha muitos acompanhantes, adeptos que o reverenciam como um líder. Em uma época como a nossa, tão cheia de indefinições e angústias, muitas pessoas seguem alguém que demonstre perseverança, firmeza de propósito. 

Ao criticar o racismo, mostra a ternura do ser humano, não importando a cor da pele e demonstrando que existe espaço para os sentimentos nobres, altruístas, se conseguirmos ultrapassar as figuras estereotipadas que a sociedade cria e solidifica. 

Ao criticar o militarismo é contundente sem se ferir. Mostra que podemos nos sobressair em um modus vivendi adverso ao nosso, se apenas e tão somente seguirmos a lei maior do ambiente. Nesse caso, mostra que um excelente soldado nada mais é que um cidadão obediente. 

Ao criticar a corrupção, toca em um dos maiores traumas americanos deste século: o processo de impeachment de Richard Nixon. Deixa claro que não se pode compactuar com atos ilícitos, ao tomar a iniciativa de telefonar ao jornal Washington Post informando uma “certa movimentação suspeita no edifício Watergate”. 

Ao criticar o materialismo, deixa claro que uma pessoa pode ser milionária sem ser apegada aos bens acumulados ao longo da vida. E mais: é possível ser feliz mesmo com poucos recursos materiais.

Forrest Gump anuncia também a instabilidade dos valores morais nos dias que correm. E assume o papel de bobo da corte sem resvalar para o pastelão; manifesta-se emotivo, sem fazer concessões à pieguice. Afirma que algo pode estar errado em um tempo em que ser sincero, honesto, íntegro, signifique ser imbecil, beócio, lunático. 


Além de toda as críticas veladas e fatos reais ou ficcionais, o que também chama atenção no decorrer da trajetória de Forrest é sua relação com os demais personagens que o cercam em sua história, principalmente com seu grande amor Jenny (Robin Wrigth), e o tenente Dan Taylor. 

A química entre eles é inegável, possibilitada principalmente pela excelente atuação de Tom Hanks, que consegue prender a atenção do público no decorrer dos 142 minutos do filme. Embora Forrest, efetivamente, não mude muito como personagem, são as interações que garantem uma profundidade à história por ele contada. 

Forrest Gump é daqueles filmes para assistirmos e depois assistir novamente, uma jornada sobre a vida e como ela sofre alterações no seu percurso, nos levando a superar dificuldades jamais imaginadas e, como diz o personagem título:
“A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar.”
Só nos resta seguir em frente.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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