25 de mar de 2015

Glee: Considerações Finais




Depois de seis temporadas, Glee foi encerrada na semana passada, botando um ponto final na história de um grupo impensável de pessoas que tornaram-se amigas devido à participação em um coral escolar. E, mesmo com seus altos e baixos, é inegável que Glee foi uma série com momentos incríveis e com um importante papel social, ao mostrar que qualquer underdog pode ter uma experiência adolescente incrível, tornando-se um adulto feliz e realizado.

Em seis anos, Glee falou sobre temas espinhosos, como homossexualidade, transexualidade, gravidez na adolescência e até mesmo morte e suicídio, abordando todos eles com uma certa irreverência, mas trazendo-os à discussão, direcionando-os a um público jovem, mas ansioso por se ver retratado na tela da televisão. E, colocando muita música em sua embalagem (de diversos gêneros, diga-se de passagem, indo do puro pop comercial a sucessos da Broadway), a série tinha tudo para se manter no topo do sucesso durante toda a sua exibição.

Mas sabemos que isso não aconteceu. Temporada a temporada, Glee foi perdendo um pouco a graça, muito por culpa de seus roteiristas, que fizeram de seus personagens, tantas vezes, verdadeiros portadores de bipolaridade, trocando de personalidade de acordo com as necessidades do roteiro. O que, para os verdadeiros fãs da série (eu incluso, acho bom afirmar) não foi nenhum grande problema.


Depois de um quinto ano problemático, em que o público não se adaptou muito bem a duas narrativas na série, uma passada em Nova York, com a maioria dos personagens originais, e outra no McKingley, com um novo grupo de gleeks, a série retornou à origem em seu último ano, com o retorno de Rachel e de Kurt para o McKingley, a fim de resgatar o glee club no colégio, ao passo em que tentavam se entender com os próprios problemas pessoais depois de todos os acontecimentos de Nova York. E a impressão que tive, assistindo a essa sexta temporada, foi a de que Glee queria celebrar as histórias que contou, dando espaço, inclusive, para todos os atores que passaram pela série voltarem e se despedirem dela ativamente.

Afinal, apesar de todos os tropeços do roteiro, a maior força de Glee sempre esteve em seus personagens, aquele grupo tão díspar de amigos, que se encontraram através da música e dos sonhos. E apesar de tantas vezes a série parecer ter sido feita exclusivamente para o ego inflado de Rachel, foi esse grupo inteiro que fez-nos apaixonar por aquelas tramas e situações.


Assim, com uma temporada final de apenas treze episódios, ouso dizer que em seus momentos finais, na apresentação dos dois episódios que encerraram a série, Glee voltou a ser aquela por quem nos apaixonamos em seu primeiro ano. Porque não sei vocês, mas eu realmente me emocionei com o penúltimo episódio da série, chamado 2009, onde praticamente entramos em uma máquina do tempo e acompanhamos os principais personagens numa volta ao passado, nos momentos que antecederam a apresentação Don't Stop Belivin', cena que encerrava o episódio piloto. Me pareceu um agrado de Ryan Murphy e de seus roteiristas aos fãs, que puderam entender um pouquinho mais como aquelas pessoas tão diferentes acabaram se aproximando e criando uma bela e importante amizade para todos.

Ao mesmo tempo, de volta ao presente (e com um breve passeio no futuro, em 2020), o episódio final, Dreams Come True, foi a chance definitiva de darmos adeus aqueles que conviveram conosco durante seis anos, enquanto a série ficou em exibição. E que episódio bonitinho, que me arrancou lágrimas solitárias em diversos momentos. Porque foi lindo ver Mr. Schuester assumindo a direção do McKinley, que acabou como uma escola referência em artes, assim como acompanhar os destinos gloriosos de Kurt, Blaine, Mercedes, Artie, Tina e Rachel. E ver que Sue, a vilã não linear e totalmente pirada da série, tornou-se a vice-presidente americana, mas sem perder os laços com Becky, Will e seus amigos do McKinley foi bem legal. Sem contar, é claro, a cena final, com todos os personagens da série (cujos atores tiveram disponibilidade e permissão para estarem presentes) cantando juntos, foi empolgante e emocionante.

Glee chegou ao fim e, para mim, cumpriu o seu papel. A série me divertiu, fez rir, me irritou em alguns momentos, mas foi a minha alegria durante muito tempo. E me fez pensar, me questionar e, tantas vezes, querer mudar alguns aspectos da minha própria vida devido a atitudes daqueles mesmos personagens. Dessa forma, Glee foi (e é) em vários momentos mais que uma série. Glee foi parte da minha vida e eu vou sentir saudades!

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Serginho Tavares disse...

Sim, vai deixar muitas saudades!
(ainda estou com lágrimas nos olhos)

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