4 de mar de 2015

Maré Vazante e Outras Estórias, de Alexandre Melo




Conhecia os contos de Alexandre Melo de quando ele os escrevia em seu blog. Obviamente, existe uma linha tênue entre algo voltado para internet, virtual, mas que quando ganha ares físicos tem um sabor bem diferente. Pelo menos para mim funciona assim. Eu sempre prefiro ter os livros em minhas mãos. Lembro de um professor da faculdade que tem uma ideia diferente, mas são opiniões e, por serem opiniões, apenas respeita-se. Ou aprende-se.

Alexandre Melo tem uma escrita assim. Ou gosta-se e entra no mundo um tanto obscuro que ele construiu, ou apenas respeita-se e tenta-se entender o caminho tortuoso que ele preferiu utilizar ao escrever este que é seu primeiro livro de contos.

Maré Vazante e Outras Estórias se aprofunda dentro do universo homossexual, mas pode ser a história de qualquer pessoa que se dispôs a cair de cabeça nos relacionamentos que ele conta em seu livro. Cada um daqueles 12 contos tem uma energia elíptica. Percorrem caminhos de dor, penúria, solidão, sofrimento e, às vezes, apenas paixão, que pode ser vazia no fim.  Existe uma exceção, o conto O Não Sexo, quebra a hegemonia presente nos demais; não obstante é o melhor conto do livro, mas por mim faria parte de uma outra coletânea, não dessa.

Compreendo que Alexandre Melo tenha procurado utilizar da tragédia em seus contos, influenciado pelo cinema e a literatura que usaram (e abusaram) da forma como retrataram a homossexualidade durante tanto tempo. Existem ecos de vários destes clássicos e isso não é ruim. Para mim, o senão do livro seria a falta de um melhor exercício literário. Seus contos remetem a cultura pop lado B, o que me pareceu proposital, afinal, ele mora no centro de São Paulo e absorveu tudo isso. Não existe sofisticação, os relatos são crus, muitos deles narrados na primeira pessoa, o que prejudica um pouco a gama de possibilidades que o autor poderia ter.

Para alguns leitores, os contos soarão datados ou poderão parecer remeter a algo já lido em algum lugar, mas não faz mal, a vida sempre lembra a vida de outrem, não é mesmo?

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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