13 de mar de 2015

O Bicho-da-Seda, de Robert Galbraith





Quando falei sobre O Chamado do Cuco aqui no Pop de Botequim, eu estava ansioso por sua continuação. Impressionado com a narrativa criada por Robert Galbraith, mergulhei no universo criado pelo pseudônimo de J. K. Rowling, adorando aqueles personagens estranhos que circulavam por uma Londres incrivelmente real. 

Assim, ao saber que O Bicho-da-Seda havia sido lançado, fiquei ansioso para poder acompanhar essa história, que terminei recentemente. E o que posso dizer? Putz, eu preciso de mais livros protagonizados por Cormoran Strike e Robbin Ellacott.

Depois dos acontecimentos narrados em O Chamado do Cuco, Cormoran não é mais um detetive desconhecido e desfruta de um pouco de fama. Desvendando o assassinato de uma supermodel, Strick passou a ser procurado por figurões diversos, interessados em desmascarar amantes ou descobrir armações financeiras de todo tipo. É nesse momento que O Bicho-da-Seda tem início, com o surgimento de uma nova e bizarra cliente que precisa dos serviços de Cormoran Strike. 

Com o aparente sumiço de seu marido, o escritor Owen Quine, sua mulher, Leonora, procura Strike para que ele encontre seu marido, que deixou sua casa e a filha adolescente com problemas psicológicos. Nessa busca, Strike descobre que Owen Quine foi assassinado com toques de bizarrice, exatamente como descrito no capítulo final de seu mais novo e não lançado livro, Bombys Mori (O Bicho-da-Seda, em latim), o que faz com que o detetive tenha de ser mais rápido que a polícia na busca do assassino, já que Leonora passa a ser imediatamente a principal suspeita, o que Strike tem certeza absoluta que não é a verdade. 

Ao lado de Robin, sua fiel secretária e aprendiz de detetive, Cormoran entra numa teia de mentiras e de falsas pistas, em busca de um assassino que transita pelo meio literário britânico e, com isso, o(a) autor(a) nos brinda com metalinguagem que, certamente, diz muito àqueles que conhecem o meio. Robert Galbraith, ou melhor, J. K. Rowling, se mostra assim, mais uma vez, uma escritora brilhante que, superando as expectativas, consegue se manter na crista da onda mesmo depois do fim de Harry Potter, sua obra mais famosa.

Mais que isso, J. K. Rowling mostra-se digna de figurar entre aquele tipo de autor capaz de criar bons personagens policiais que, bem trabalhos, crescem a cada novo trabalho. Se Agatha Christie fez isso com Hercule Poirot e Miss Jane Marple, apesar de cedo, não tenho medo de comparar Cormoran Strike a tão famosos personagens. O detetive atormentado pelo que viveu na guerra, onde perdeu um pedaço de sua perna, e com uma história amorosa conturbada, é um achado e torna-se cada vez mais envolvente nesse segundo livro. Assim, como Robin, que apresenta camadas bem mais interessantes com o passar da história do que apenas o de secretária super eficiente.

O Bicho-da-Seda é, assim, a confirmação de que a nova série assinada por J. K. Rowling, mesmo que com o pseudônimo de Robert Galbraih, é imperdível para os fãs de um bom livro policial e, especialmente, para aqueles que apreciam uma boa história, de qualquer gênero.

Autor: Robert Galbraith (Pseudônimo de J. K. Rowling)
Páginas: 464

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter


0 comentários:

Share