23 de mar de 2015

Primeiras Impressões: Babilônia





Babilônia estreou na última segunda-feira, 16/03, e para que pudéssemos ter um tempinho maior para saboreá-la e avaliá-la com maior propriedade, nossas Primeiras Impressões são registradas agora. Então, vamos à elas. 

Nas primeiras chamadas da nova novela das 9 encontramos várias referências. A primeira seria um instigante e empolgante embate entre as inesquecíveis e já clássicas vilãs Maria de Fátima e Carminha, vividas respectivamente, por Glória Pires e Adriana Esteves em Vale Tudo (1988) e Avenida Brasil (2012), agora nas peles das inimigas Beatriz e Inês. 

A Inês de Adriana Esteves é a amiga de adolescência pobre e ambiciosa, que se afastou da rica e sofisticada Beatriz, de Glória Pires, mas guarda uma obsessão por ela. Logo que as duas se reencontram surge um perigoso jogo de interesses e chantagens. Um plot que remete a outra novela de grande sucesso, A Favorita. Lembram de Flora e Donatela? 

O primeiro capítulo foi dominado pelas protagonistas vilãs, enquanto que a mocinha Regina, de Camila Pitanga, ficou um tanto quanto apagada. E, pelo jeito, a talentosa e carismática Camila terá de suar na praia vendendo muita água de coco para não ter seu brilho completamente ofuscado pelas vilãs, que já conquistaram a audiência de cara. Devemos levar em conta também que as mocinhas de Gilberto Braga costumam ser bem chatinhas, devido ao talento nato do autor em criar vilões perfeitos. De qualquer forma, não tenho dúvidas de que Regina irá soterrar Marina, a pior mocinha de Gilberto Braga, vivida por Paolla Oliveira em Insensato Coração

Ao lado de Regina, a mocinha honesta e batalhadora, que sonha em formar-se em medicina, está Vinícius, seu par romântico. O bondoso e idealista advogado, vivido por um sempre doce Thiago Fragoso, mais magro e menos bonito que em Amor à Vida, mas provando ser um excelente ator, pois seu primeiro herói do horário nobre, apesar de gentil e amável como Niko, mostra-se bem diferente deste. Se o par romântico da vez não for soterrado pelas maldades e tramoias de Inês e Beatriz, creio que farão um bonito casal, pois beleza e carisma ambos tem de sobra. 

Em meio a toda sofisticação, intriga, ambição e glamour tão peculiarares aos autores Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, tivemos na primeira semana de Babilônia o assassinato do pai da mocinha pela pérfida Beatriz, o que desencadeará toda a ação da trama; fomos apresentados ao casal lésbico da terceira idade, Teresa e Estela, vivido por duas inspiradas divas da TV e do teatro, Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, nos brindando, já no primeiro capítulo, com um beijo que fez muita gente se rasgar, e depois outro beijo, no meio da semana. Foi um festival de tapas na cara da sociedade, que só poderia ser proporcionado por essas duas damas da arte.


Os autores fizeram um primeiro capítulo ágil, o que é marca registrada nas novelas de GB e cia. Suas histórias são recheadas de cenas e acontecimentos rápidos, porém, o resto da semana foi mais tranquilo que o capítulo de estreia. Se na segunda, Beatriz voltou ao Brasil falida de Portugal, tramou um golpe para se casar com o milionário Evandro (Cássio Gabus Mendes), enquanto este ainda estava com a esposa à beira da morte no hospital, e Inês descobriu o caso dela com o motorista do futuro marido chantageando-a, e ela ainda assassinou o amante para se livrar de duas chantagens e incriminar Inês; trama mais que suficiente para duas semanas de novela nas mãos de Manoel Carlos, nos capítulos que correram durante o resto da semana, fomos apresentados com mais calma a outros personagens e vimos uma cena didática, linda e esclarecedora na voz de Teresa, ao conversar com a diretora do colégio sobre o filho adotivo Rafael, papel do lindinho Chay Suede, ainda uma criança de 10 anos, pois a trama inicia-se em 2005, saltando no segundo capítulo para 2015. 

Com todos os principais personagens já adultos e maduros, podemos conhecer melhor a Alice, de Sophie Charlotte, trocando tapas na cara com a própria mãe, Inês, em Dubai; o Murilo, de Bruno Gagliasso, pagando de cafetão e com a mesma cara de psicopata de seu último personagem; Guto, de Bruno Gissoni fazendo o playboy filhinho de papai desprezível; o insuportável Gabriel Braga Nunes na pele do bon-vivant Luís Fernando, numa dobradinha sem graça com Maria Clara Gueiros, fazendo a esposa Karen; Rosi Campos, mais uma vez em um papel aquém de seu talento gigante, como a manicure fofoqueira Zélia, mãe de Karen e sogra de Luís Fernando; Arlete Salles, sempre ótima em papéis cômicos, um pouco over como Consuelo, mãe do político corrupto Aderbal, vivido por Marcos Palmeira, bem no papel, e que promete fazer uma dobradinha explosiva com Beatriz; a advogada Paula, de Sharon Menezes, braço direito da renomada advogada Teresa Petruccelli; Marcos Pasquim, como Carlos Alberto da Mata, bem distante de seus papéis nas tramas de Carlos Lombardi, um personagem que parece guardar muitas surpresas; Marcos Veras, estreando em novelas em um papel sob medida, o boa-praça Norberto; e Tiago Martins, ótimo em trajes sumários, como Diogo, atleta de saltos ornamentais, irmão da protagonista Regina, que em breve provocará uma louca paixão na tarada Beatriz, a ex-amante e assassina de seu pai. Parece mesmo que o babado será forte na nova novela das nove. 

A julgar pelas maldades de Inês e Beatriz, que juntas, só nessa primeira semana, deram o golpe do baú (Beatriz), matou o amante e incriminou sua chantagista (Beatriz), quebrou as pernas de uma mulher para conseguir o convite de uma festa (Inês), filmou uma transa para fazer chantagem (Inês), provocou a morte do marido (Inês), essa novela será uma verdadeira e deliciosa babilônia.

Quem já é a dona do seu coração, ou melhor, do seu desprezo total, Beatriz ou Inês? 

Que venha a segunda semana de Babilônia e os próximos seis meses!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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