8 de abr de 2015

#BaúPop: Cães de Aluguel





Antes de tudo, é preciso que eu leve ao seu conhecimento o quanto julgo Quentin Tarantino superior quando o assunto é direção, roteiro e produção. Sendo assim, Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, no original) foi eleito por mim como sendo O filme 5 estrelas, inigualável, ímpar, único, excelente, singular, incomparável, sublime, insuperável, extraordinário.

Filme americano de 1992, Cães de Aluguel foi escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Estrelado por Harvey Keitel (de O Grande Hotel Budapeste, de 2014), Steve Buscemi (desde 2010 protagonista da série Boardwalk Empire), Michael Madsen, Tim Roth (de O Incrível Hulk, de 2008) e Chris Penn (de American Pie 2 - A Segunda Vez é Ainda Melhor, de 2001), o filme retrata os eventos anteriores e posteriores a um mal sucedido roubo de diamantes (embora não mostre o roubo propriamente dito), praticado por homens que não se conhecem e que se referem uns aos outros através de nomes de cores.

Ao longo do filme, Mr. Blonde (Michael Madsen), Mr. Blue (Edward Bunker), Mr. Brown (Quentin Tarantino), Mr. Orange (Tim Roth), Mr. Pink (Steve Buscemi) e Mr. White (Harvey Keitel) passam por diversos flashbacks, esparramando assim as peças na sua cabeça e te fazendo pensar mil e uma hipóteses. Tarantino escolhe as palavras e ações de maneira tão inteligente, que ficamos sabendo muito sobre as características de cada personagem, não importando a trivialidade do que falam.


Quem já teve o prazer inenarrável de assistir Cães de Aluguel deve lembrar da clássica conversa que abre o filme, em que eles tentam interpretar o verdadeiro sentido da letra da música Like a Virgin, de Madonna. A Rainha do POP revelou que gostou muito do filme, mas refutou a interpretação de Tarantino para a canção. Mais tarde, Madonna enviou uma cópia do álbum Erótica com uma dedicatória bem-humorada para o diretor: 
"Para Quentin. Não é sobre pênis, é sobre amor. Madonna."
Eu, como amante do trabalho de Tarantino, sei que a experiência de um filme do diretor não está completamente focada nos atores, nos diálogos e afins, mas muito na maneira natural como as músicas do mundo POP (que não foram propriamente compostas para o cinema) se encaixam tão confortavelmente na sequencia do filme e o completam de modo indissociável. A trilha sonora de Cães de Aluguel mistura diálogos do roteiro com canções POP clássicas, assim como Tarantino segue fazendo até hoje com seus demais filmes.


Se nos EUA o filme não teve divulgação e não chegou a fazer uma estrondosa bilheteria (vale lembrar que Cães de Aluguel é o primeiro filme serião da carreira de Tarantino), na Inglaterra a produção foi um sucesso. Sucesso a ponto de Quentin Tarantino não conseguir caminhar pelas ruas de Londres sem ser abordado na época. Muitos cineastas ingleses se dizem influenciados pela obra até hoje, o que fez de Cães de Aluguel um filme cult.

Acredito que com tudo que disse, já entreguei demais do filme; não gosto de me prolongar e acabar com o elemento surpresa que vão ter ao assistir a trama. O roteiro bem amarrado é muito bem escrito e, apesar da sua linguagem não linear, a história vai encaixando suas peças como um quebra-cabeças até chegarmos ao final e podermos vislumbrar a sua imagem perfeitamente formada.

Cães de Aluguel é, dessa forma, uma pequena obra prima de Tarantino e, por isso, merece seu lugar em nosso #BaúPop.

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Fernando Santos  
Fernando Santos, mineiro nascido no dia do amigo/dia da amizade (20 de julho). Publicitário, se vê como uma mistura da cultura pop emanada dos meios de comunicação em uma tentativa de dialogar e tomar da fonte de todas as mídias.
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