22 de abr de 2015

#BaúPop: Crepúsculo dos Deuses





Ok, eu já devo ter escrito e falado sobre Crepúsculo dos Deuses, essa obra-prima de 1950, milhões de vezes! Quem me conhece sabe o quanto o amo mas, esse amor não é gratuito, já que é o tipo de filme que deve ser visto e revisto sempre por qualquer pessoa que goste de cinema, ou melhor, que ame perdidamente o gênero.  As inovações do roteiro aliadas à genialidade de Billy Wilder, fizeram dele um dos melhores filmes já feitos e que serviu de inspiração para outros clássicos como, por exemplo, Beleza Americana, de Sam Mendes, e A Noite Americana, de François Truffaut.

Estrelado por Gloria Swanson e William Holden, em atuações arrebatadoras, temos aqui um dos mais perfeitos clássicos do gênero noir, onde tudo atinge a tônica certa. Para quem cometeu o sacrilégio de não ver este filme, a história é bem simples: roteirista fracassado se esconde dos credores na casa de antiga estrela do cinema mudo que está disposta a voltar aos holofotes; para isso, ela o contrata para escrever o roteiro do filme que a fará brilhar novamente nas telonas. Claro que a convivência entre eles não será nada fácil. Diálogos mordazes, uma atmosfera densa, onde Hollywood se permitiu tocar em suas próprias feridas sem rir de si mesma. Muito pelo contrário, a ousadia que o diretor se permitiu levar é digna de nota e entrou pra história.

O nome do filme original é Sunset Blvd., que corresponde ao endereço onde a mansão onde a ex-estrela de filmes vive solitária com seu fiel empregado Max von Mayerling (Erich von Stroheim). Ao exibir uma Hollywood cruel, o diretor talvez não imaginasse que o tempo a fizesse se tornar mais impiedosa com seus astros.


E para quem ama curiosidades dos bastidores, alguns fatos interessantes aconteceram durante as filmagens:
  • Montgomery Clift chegou a assinar contrato, mas desistiu apenas duas semanas antes das filmagens e o papel acabou ficando com William Holden; 
  • Billy Wilder convidou Fred MacMurray, que o recusou porque não queria viver um gigolô nas telas, feito que deve ter lamentado terrivelmente; 
  • Antes de ser cogitado o nome de Gloria Swanson, outras estrelas do cinema mudo como Mary Pickford, Mae West e Pola Negri foram convidadas;
  • Holden personifica com glamour a imagem do homem derrotado que se submete aos caprichos de uma mulher voluntariosa. 
  • Swanson, ou melhor, Norma Desmond, em um verdadeiro tour de force mostra porque no cinema gestos falam muito mais do que palavras. Até hoje ninguém conseguiu transmitir a dor que uma verdadeira estrela é capaz de suportar, afinal ela era “grande, os filmes é que ficaram pequenos.”
Com tantas qualidades e, como sabemos, ocupando o lugar que merece na história do cinema, Crepúsculo dos Deuses não poderia ficar de fora do nosso #BaúPop.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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