4 de abr de 2015

Cinquenta Tons de Cinza, de Sam Taylor-Johnson





Antes de começar esse texto, preciso deixar claro que eu não li o livro original de E. L. James, que originou ao esperado filme protagonizado por Christian Grey e Anastasia Steele. Sendo bem sincero, o mais próximo que cheguei da história foi lendo (e gargalhando) com um post na web chamado Cinquenta Tons de Mulheres Mal Comidas, sacaneando a obra e o público a que ele se destina. É claro, eu tinha uma vaga ideia do que se tratava a trama, mas sequer tive curiosidade de ler o livro e, quando o filme foi lançado, não hesitei: nunca gastaria meus ricos dinheiros pagando entrada no cinema para ver o longa. 

Mas o tempo passa, a modernidade te assalta e, em um belo dia de ócio e com o filme ali dando sopa para ser assistido, dei o play na história e, devo admitir, não foi tão ruim quanto eu esperava. Graças aos bons momentos de comédia involuntária (e eu gargalhei em algumas partes), achei o filme bem do água com açúcar e levinho, sequer merecendo todo o burburinho que causou.

Se você, como eu, é um perdido na vida e nunca se interessou por Cinquenta Tons de Cinza, uma pequena sinopse: Anastasia Steele é uma estudante de 21 anos, bobinha (e que se veste mal, num recurso bem besta de caracterização de alguém inocente, convenhamos) e virgem (mais um clichê). Um dia, ao ajudar sua roommate que se encontra doente, acaba entrevistando o milionário Christian Grey e fica imediatamente atraída por ele e, vejam só, ele por ela. Começa então um jogo de "te quero pra mim, Anastasia" e "saia de perto de mim, Anastasia, não sou para você" de Grey com a jovem que, é claro, fica cada vez mais interessada nesse homem que esconde um segredo. Segredo esse que, enquanto vai sendo revelado, até que contribui para a curiosidade do público.

A trama poderia ser muito boa. Afinal, o segredo de Christian Grey (que todo mundo já sabe, logo, isso não é um spoiler) é ele ser chegado em umas paradinhas mais hards no sexo, em uma pegada meio sadomaso. Mas o desenvolvimento da trama é tão besta que só nos resta rir dos tapinhas de leve na bunda que Anastasia ganha e do horror que sente ao se sentir violada por isso.

Os atores, por incrível que pareça, estão bem nos papeis. Dakota Johnson leva bem a infame tarefa de viver a mocinha virgem e chata que se entrega a um homem com instintos de dominação meio pirado. E Jamie Dornan é realmente muito bonito, o que, aliado à toda riqueza de Christian Grey, torna-se irresistível.


E os diálogos, meus caros, os diálogos são incríveis. Mas incríveis de risíveis. Em determinado momento, me peguei tendo uma crise de riso, tendo que dar pause na história para recuperar o fôlego. Perguntado por Anastasia se, depois de um momento fofo, eles iriam fazer amor, Christian Grey responde:
-Eu não faço amor. Eu fodo. Com força.
Eu juro. Tem como levar isso a sério sem gargalhar?

Vendo o filme, entretanto, me peguei pensando no que levou tantas mulheres a se encantar com essa história besta. Grey, durante boa parte do filme, não sabe, desculpem-me a expressão, se fode ou sai de cima. Em um estilo totalmente Edward Cullen (e dá pra entender porque E. L. James disse que se inspirou na saga Crepúsculo para escrever 50 Tons, tirando os vampiros e incluindo sexo na trama), ele se aproxima de Anastasia e logo se afasta dela de maneira totalmente enigmática. Dá pra ver, de cara, que ele é uma pessoa meio estranha.

Mas o que Anastasia faz? Se apaixona e entra no joguinho de Grey. Que, é claro, a cobre de presentes diversos que, primeiro a ofendem, mas que ela nunca devolve. Aham, meus caros, conseguem entender? O esteriótipo feminino de Anastasia é realmente esse: o da mulher que se encanta por um homem maravilhosamente lindo e rico, a ponto de se submeter às suas vontades, enquanto tenta mudá-lo.

Por ser tão bobo, Cinquenta Tons de Cinza se torna o que eu disse no início desse texto: uma comédia involuntária. E seu fim abrupto, com Anastasia abandonando seu amado depois de sentir-se humilhada por levar seis espalmadas fortes na bunda, me fizeram rir e pensar em quanto dinheiro essa história já arrecadou ao redor do mundo e quanto ainda arrecadará com os demais filmes que, certamente, virão.

No fim das contas, meu pergunto porque é que EU não estou escrevendo romances eróticos. Acho que ganharia bem mais e, certamente, tenho uma mentalidade bem mais fértil e promíscua safadinha para criar uma história desse tipo. Definitivamente.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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