14 de abr de 2015

Consertando Frank, com Chico Carvalho, Rubens Caribé e Henrique Schafer





Franklin Johnston é um jornalista que escreve sobre plantas. No intuito de escrever um artigo “sério”, decide, influenciado pelo companheiro, o terapeuta Jonathan Baldwin, desmascarar o psicólogo Arthur Apsey em uma grande matéria, onde provará que ele não passa de um charlatão, por vender a seus pacientes a ideia da cura gay. 

Frank e Jonathan são um casal apaixonado. O primeiro quer sua matéria publicada, para provar que é um jornalista sério, capaz de ir a campo, investigar e denunciar um oportunista. O segundo deseja que o psicólogo perca o direito de clinicar, abrindo um processo contra ele, baseado na matéria do marido e no depoimento de ex-pacientes do Dr. Apsey, que agora são seus. Para isso, Frank inicia um processo de terapia com Arthur Apsey, o Frankenstein. Ele finge, em uma farsa orquestrada por Jonathan, estar confuso em relação a sua sexualidade e desejar converter-se em heterossexual e, dessa forma, descobrir as táticas e técnicas do terapeuta referentes a tal “cura gay”. E com tais informações em mãos, provar que tudo não passa de uma grande balela. 

Nos primeiros encontros, manipulado por Jonathan, Frank consegue manter a farsa, mas com o passar das visitas ao consultório do Dr. Apsey, o sugestionável rapaz, vencido pela argúcia do psicólogo, conta toda a verdade e revela seu desejo de fazer uma matéria sobre as técnicas de Arthur para converter gays em heterossexuais. Quando Frank muda as regras impostas por Jonathan, e baixa a guarda para o Dr. Apsey, o jogo vira a favor do psicólogo que, com suas táticas terapêuticas, consegue deixar Frank confuso, a ponto de desejar curar-se da homossexualidade. 

Frank é manipulado por todos os lados. De um lado Arthur, tentando convencê-lo que tudo não passa de uma escolha e que ele precisa se livrar do companheiro. Do outro, Jonathan pressionando-o para escrever a matéria e denunciar o psicólogo. Sem querer querendo, Frank se entrega nas mãos de dois manipuladores de carteirinha, deixando-se levar pela falta de ética tanto nas relações profissionais quanto pessoais. 

Sem dúvida, o texto de Ken Hanes, traduzido há mais de uma década, encontrou seu momento ideal para ser montado, tendo em vista as bizarras posições ideológicas de organismos humanos como as dos bolsonaros, malafaias e felicianos. Mas, trata-se também de uma obra que se revela em toda sua universalidade e atemporalidade quando colocada em sua devida perspectiva. Que as vozes que ela nos provoque na cabeça sejam as da mais sadia reflexão. 

Consertando Frank fica em cartaz até 26 de abril no Teatro MuBE Nova Cultural no MIS, em São Paulo. Com um elenco afiado e competente sob direção de Marco Antonio Pâmio, Chico Carvalho, Rubens Caribé e Henrique Schafer dominam a cena com vigor, ao fazerem um jogo de interpretação instigante, onde os três permanecem no palco o tempo todo, fazendo a plateia lotada por jovens, senhorzinhos e senhorinhas e vários atores vistos em novelas do SBT, rir alto e chorar baixinho, pois a peça é pura emoção. Vale a pena!

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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