10 de abr de 2015

Velozes e Furiosos 7, de James Wan




Em sua sétima aventura, Velozes e Furiosos criou grande comoção em seu público. Claro que muito disso se deu pelo trágico falecimento de Paul Walker em novembro de 2013, por ironia do destino, em um acidente automobilístico. 

O que vale ressaltar na franquia Velozes e Furiosos é a sua transmutação cinematográfica. Se lá no longínquo ano de 2001 o filme parecia muito com Caçadores de Emoção, somente mudando as pranchas por carros, hoje já se parece muito com Mercenários e Missão Impossível, que, cá entre nós, nunca é impossível, já que Tom Cruise sempre resolve a treta. 

Mas, enfim, o que se destaca na trama de Velozes e Furiosos é a amizade dos personagens principais ou, como é constantemente dito, a Família Toretto. Neste episódio da franquia, Domenic Toretto e sua família tem que enfrentar um de seus piores inimigos, Deckard Shaw (Jason Statham), irmão mais velho do vilão do longa anterior, que busca vingança. 

Velozes e Furiosos é um filme para desligar a mente da realidade e apenas se entreter. O roteiro é apenas uma desculpa (e esfarrapada) para que a produção explore os pontos fortes da série, que são as cenas de ação absurdas e as interações carismáticas entre um elenco de química impecável, pilares da franquia que funcionam maravilhosamente aqui. 


No decorrer da aventura, vemos que esta é uma verdadeira carta de amor à série, homenageando cada um dos capítulos anteriores, expandindo e fechando arcos iniciados anteriormente. Figuras como Hector (Noel Gugliemi) e o gaijin Sean (Lucas Black) reaparecem, mesmo que rapidamente, relembrando o público que, por mais que Velozes tenha mudado, ainda se trata do mesmo universo.

Vin Diesel assume com naturalidade o papel de protagonista e “alfa” do filme. A despeito de dividir a tela ao lado de nomes como Statham, Johnson, o tailandês Tony Jaa (da franquia Ong-Bak) e, especialmente, Kurt Russell, o filme jamais diminui a presença ou a importância destes para afagar o ego do ator principal, ressaltando assim a imponência de Toretto. 

Há alguns momentos que são presentes para os fãs, como ver Hobbs dando o golpe final que era a marca registrada de The Rock na época de luta-livre, ou o combate entre Michelle Rodriguez e Ronda Rousey (a segunda vez que Letty enfrenta uma adversária interpretada por uma lutadora profissional). Mas, as grandes emoções vão para o arco de Brian e Mia (Jordana Brewster), praticamente improvisado após a morte de Paul Walker no meio das filmagens. Não só este faz sentido dentro da narrativa, mas também fecha a participação de Brian na série de uma forma orgânica, permitindo a seus amigos uma despedida tocante, que fala tanto do personagem, quanto do ator. 


Por si só, Velozes e Furiosos 7 seria imperdível para os apreciadores do bom cinema de ação, como uma divertidíssima montanha-russa cinematográfica. Mas, através deste longa, os colegas de Paul Walker conseguiram dar uma despedida digna para um profissional que era tido como uma das pessoas mais queridas do meio. 

Velozes e Furiosos 7 não abre mão da velocidade e da fúria tradicionais da série e, por conta de infelizes condições externas, adiciona o elemento emoção à mistura. O filme deixa claro que a franquia ainda não acabou, mas dificilmente um capítulo futuro conseguirá ser tão memorável quanto esse. E talvez seja melhor assim.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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