6 de mai de 2015

#BaúPop: Johnny Guitar





Muito antes de Brokeback Mountain ser lançado, já existia Johnny Guitar. Nesse filme, de 1954, não vemos o amor de dois homens, mas sim o ódio latente de duas mulheres que de amantes passam a ser rivais. E o embate entre Joan Crawford e Mercedes McCambridge é histórico. Os diálogos bem construídos revelam nitidamente todo o conflito, mas está no olhar das duas toda a tensão sexual existente. Na vida real, elas se odiavam de verdade entre um copo e outro. Sim, elas bebiam e muito. Já eram duas lendas da sétima arte quando protagonizaram este western psicológico, com boas cenas de ação dosadas na medida certa.

Mas vamos a história do longa. Vienna, Joan Crawford, é a dona de um saloon que é sempre ameaçada pelos fazendeiros do lugarejo, que querem seu estabelecimento por se localizar na passagem de uma ferrovia. Um crime acontece e Vienna é obrigada a chamar um antigo amante, Johnny Guitar, para ajuda-la a apagar a fúria dos fazendeiros, principalmente de Emma (Mercedes McCambridge).

O mais interessante é que o personagem-título Johnny Guitar é de um homem fraco, passivo, que em grande parte do filme apenas observa o andar das coisas que o cercam, sem interferir em nada. Um contra-senso do gênero western, onde o homem exerce o papel dominante. Talvez, por isso tenha sido ignorado na época, mas não para os franceses, que o tornaram cult, especialmente François Truffaut e Jean-Luc Godard.


Outro ponto interessante é que a excelente trilha sonora ajuda a carregar todo o filme e em determinados momentos denuncia os sentimentos velados dos personagens principais. A canção-tema, interpretada pela não menos fabulosa Peggy Lee, revela a dor de pessoas que não tinham mais nada a perder, mas queriam ser encontradas.

Nicholas Ray, que no ano seguinte realizaria seu filme mais famoso ao lado de James Dean, Juventude Transviada, além da coragem de dirigir duas grandes estrelas, conseguiu o feito de domá-las e, no confronto final não há uma vencedora. Ganhamos todos nós.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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