29 de mai de 2015

#BaúPop: Pleasantville - A Vida em Preto e Branco, de Gary Ross


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O que você faria se mudasse de canal e começasse a ver um garoto brigando com a irmã por um controle remoto pelos motivos mais fúteis do mundo? Não sei você, mas eu mudaria de canal. Chega de confusões e peripécias gigantescas onde pessoas trocam de sexo por uma noite ou vão para o mundo das fadas aprender lições. Eu mudaria de canal mesmo, mas dessa vez decidi não mudar, decidi ficar deitado no sofá e ver até aonde aquilo me levaria. Um início muito enjoado, porém necessário, que eu só perceberia com o decorrer de todo o filme. E este, após encerrado e com os créditos aparecendo na tela, se revela perfeito!

Pleasantville - A Vida em Preto e Branco é uma comédia dramática de 1998, dirigido por Gary Ross, que tem em seu currículo filmes como: Lassie (de 1994), Alma de Herói (de 2003), Jogos Vorazes (2012), dentre outros. O enredo é simples e tipo assim: após o “cara” da manutenção da TV entregar um “controle” mágico para dois irmãos briguentos, eles acabam entrando na telinha e começam a fazer parte de uma série televisiva dos anos 50. Lá, percebem que tudo está errado (mesmo estando certo demais), e começam a transformar tudo na cidade, da cor das pessoas aos valores mais moralistas. Se o enredo é simples, o desenvolvimento passa longe disso. É algo complexo, que mesmo assim é levado com leveza e simplicidade pelo diretor Gary Ross, que consegue filmar uma obra-prima sem parecer pretensioso.

Após perceberem que estão em uma cidade fictícia dos anos 50, os irmãos David (Tobey Maguire) e Jennifer (Reese Witherspoon) descobrem que não podem sair e que terão que conviver com tudo aquilo de forma natural, para que nada vire o caos. Mas Jennifer não consegue seguir as “instruções” do moço do controle e começa uma mudança que culminará na modificação total de um círculo fechado e “dormido” até esse momento. Jennifer começa a modificação na medida em que apresenta o sexo para um dos moradores da cidade, o capitão do time de basquete, que mesmo sendo bonitão, sente vergonha ao pegar na mão da “moça” em momentos inapropriados, como em público. 


Após apresentar o sexo, o caos começa, mas ele é necessário para que toda uma vida real se construa. Adão e Eva só saíram do paraíso após comerem do fruto proibido, mais conhecido como sexo. Após eles saírem do paraíso, quebraram barreiras inimagináveis e construíram toda a humanidade. A quebra da perfeição era necessária para que todos nós um dia nascêssemos. Do contrário, o mundo continuaria sendo perfeito e Adão e Eva morreriam de tédio em um mesmo lugar onde tudo é sempre igual e mudanças nunca são bem vindas. Isso pode ser descrito também como o velho mito da caverna, ou o “sono contínuo” que a grande massa sempre tem. No filme, o catalisador, o puxador ou a pessoa que acorda, acaba sendo Jennifer, a mulher, como Eva que, como ela, também inicia o rito por meio do sexo.

Ainda, para escancarar a revolução de Pleasantville - A Vida em Preto e Branco advém o Rock’N’Roll, aquela música do diabo. Com a sua dança frenética e suas letras e ritmos transgressores, os jovens da pacata cidade aceleram seu desejo pela experimentação e distribuem mais cores pelo ambiente. Falando em rock, a trilha, fantástica, traz clássicos dos 50’s através de monstros como Elvis, Gene Vincent, Lloyd Price, Pat Boone, Miles Davis, e representando os anos 90, Fiona Apple, numa regravação interessante de Across the Universe, dos mestres Lennon and McCartney. 

O roteiro de Gary Ross é um dos mais criativos dos últimos tempos. O filme, mais uma vez, consagra a idéia de que o bom cinema é feito das idéias mais simples. Pleasantville - A Vida em Preto e Branco é uma experiência gratificante, de te deixar com um sorriso no rosto e injetar um pouco de esperança nos corações. Te faz feliz e, hoje em dia, isso já é muito. E, ainda, mostra que se você quiser cores mais novas para melhorar a sua vida, seja em Pleasantville ou aí na sua cidade: love is all you need!

1 comentários:

Eduardo Silva disse...

Eu AMO esse filme.
Simplesmente perfeito.

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