13 de mai de 2015

#DocPop: Mamonas Assassinas, O Sucesso da Irreverência!




Se você nasceu em meados dos anos 80, com certeza já cantou coisas como “já me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém!”, e tenho certeza que não tinha maldade nenhuma ao cantar essa e outras músicas dos Mamonas Assassinas, que hoje são nossos homenageados aqui no #DocPop

A banda surgiu no ano de 1989, porém seu primeiro nome era Utopia, com um estilo musical totalmente diferente do que foi consagrado com os Mamonas. No mês de março de 1989, Sérgio Reoli, que trabalhava na empresa Olivetti, conheceu Mauricio Hinoto, irmão de Bento. Ao descobrir que Sérgio era baterista, Mauricio resolveu apresentá-lo ao seu irmão que era guitarrista. Sérgio e Bento decidem forma uma banda, nesta época Samuel Reoli, irmão de Sérgio, não se interessava pela música e preferia desenhar aviões. Entretanto, ao ver seu irmão e Bento ensaiarem em sua casa, Samuel acabou se interessando e passou a tocar baixo eletrônico. Nascia assim a Banda Utopia. 

A princípio, a banda se tornou especialista em covers de bandas mais famosas como Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Rush, entre outras. Mas, em um determinado show que a banda fazia, o público pediu que tocassem uma música dos Guns N' Roses e, como não sabiam a letra, pediram que alguém da plateia os ajudassem. Subiu então ao palco o jovem Alecsander Alves, o Dinho, que se dispôs a cantar a tal música, mas que conseguiu arrancar boas risadas do público e assim assumiu definitivamente os vocais da banda em que, por seu intermédio, entrou também o quinto integrante do grupo, o tecladista Júlio Rasec.


A banda Utopia passou então a se apresentar pela periferia de São Paulo, e chegou a lançar um disco intitulado A Fórmula do Fenômeno, que teve menos de cem cópias vendidas. Os integrantes começaram a perceber que as palhaçadas e músicas parodiadas que faziam em seus ensaios para se divertirem eram mais bem recebidas pelo público do que os covers que eles faziam e, aos poucos, começaram a introduzir essas paródias nos shows. Eles tinham receios de como seria a reação do público, porém as músicas parodiadas foram amplamente abraçadas por todos. 

Mas foi num show em um bar de Guarulhos que a trajetória deles mudou radicalmente. Neste show estava presente o produtor musical Rick Bonadio (que era o empresário da banda Charlie Brown Jr.), que os convidou para gravarem umas duas músicas que iam sacanear uns amigos num churrasco. Essas duas músicas eram Pelados em Santos e Robocop Gay, que foram gravadas de madrugada no estúdio, e que ouvidas pela manhã por Rick, que considerou o material muito bom, incentivou os integrantes a mudar o perfil da banda. Mudança essa que começou pelo nome, que por sugestão de Samuel seria Mamonas Assassinas do Espaço, porém ficou reduzido apenas a Mamonas Assassinas. 

A banda enviou uma fita demo com três músicas para três gravadoras, entre elas Sony Music e EMI. Rafael Ramo,s que era o baterista da banda Baba Cósmica e filho do diretor artístico da EMI, João Augusto Soares, insistiu na contratação dos Mamonas Assassinas. Após ver uma apresentação da banda em 28 de abril de 1995, João resolveu contratar o grupo.


Depois de gravarem um disco produzido por Rick Bonadio, a quem apelidaram de Creuzebek, os Mamonas Assassinas alcançaram o sucesso imediato, Suas músicas cheias de besteiras, sotaques e paródias foi ao topo das paradas brasileiras de sucesso. 

O mais impressionante foi que os Mamonas conseguiram fazer sucesso com todas as músicas do seu CD. Diferente de algumas bandas que são caracterizadas por alcançar a fama com apenas uma canção, eles conseguiriam o feito de ter as 14 músicas do álbum de estreia cantadas Brasil afora, onde todo mundo sabia (e sabe até hoje) as canções dos Mamonas. 

Além de suas letras cômicas, outro diferencial da banda eram os figurinos irreverentes, como a roupa do Chapolin, ou uniformes de heróis, sem contar na própria irreverência dos integrantes da banda, que eram extremamente palhaços e levavam o público ao delírio. 

Com o sucesso, os Mamonas estavam em todo lugar. Eram convidados frequentes de programas como Domingão do Faustão, Domingo Legal, Jô Soares Onze e Meia, Programa Livre e Xuxa Hits. Chegavam a tocar oito vezes por semana, com apresentações em 25 dos 27 estados brasileiros, e ocasionais dois shows por dia. 

É difícil até hoje definir o estilo musical dos Mamonas, pois eram grandes as referências de estilos introduzidos na composição de suas músicas, tais como Pop Rock, Brega, Sertanejo, Forró, Pagode e Heavy Metal, o que faziam de suas músicas uma grande salada mista. 

Um ponto marcante para quem admira a trajetória dos Mamonas Assassinas, foi o show no estádio Paschoal Thomeu (Thomeuzão), em Guarulhos. Esse show ficou conhecido pelo desabafo de Dinho diante da plateia, quando ele relembrou que antes de terem alcançando o megassucesso como Mamonas Assassinas, eles tentaram tocar no mesmo estádio com a Banda Utopia, entretanto, os administradores do local disseram que eles jamais tocariam ali. 

Os Mamonas fizeram tanto sucesso, que nos bastidores da indústria musical eles foram apelidados de rolo compressor, pois nenhuma outra banda queria tocar na mesma cidade que eles, porque sabiam que não conseguiriam lotar os shows como eles faziam.


Mas, no dia 02 de março de 1996 a trajetória musical dos Mamonas Assassinas chegava ao fim. Devido a um acidente aéreo, todos os integrantes do grupo morreram, pondo fim a uma das melhores bandas já produzidas no Brasil. 

A morte da banda causou comoção nacional, pois eram muito queridos do público. Quem era adolescente ou criança na época certamente lembra de como era o clima, que foi simplesmente de tristeza geral. 

Parece que foi ontem, mas já se vão 19 anos desde o grande sucesso da banda. Porém, sua irreverencia e suas músicas continuam no popular brasileiro e ainda hoje muito gente se diverte ouvindo os Mamonas Assassinas.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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