12 de mai de 2015

Primeiras Impressões: Zorra




A Rede Globo levou quase um ano preparando e, enfim, lançou no último sábado o novo Zorra. Sai Maurício Sherman e entra outro Maurício, o Farias. Se o primeiro era famoso por promover piadas sexistas, machistas e homofóbicas, já que achava que mulheres seminuas são engraçadas e que gays afetados devem ser ridicularizados, o segundo optou por um humor mais inteligente, onde é mais interessante rir de si mesmo (e da concorrência). Maurício Farias uniu uma equipe que se preocupou com a estética e com o conteúdo.

É certo que é cedo para falar desse novo Zorra. Digamos que agora seu nome faça mais sentido do que antes. Me pareceu que aqui a colcha de retalhos está bem mais costurada, oferecendo ao público do horário algo mais atrativo. Obviamente, vai levar um tempo para que as pessoas se acostumem e que o programa entre nos eixos, porém, já mostrou que está no caminho certo ao se aproximar mais do humor do Tá no Ar, outro grande acerto da emissora, que possui além do mesmo Maurício Farias à frente, a colaboração de Marcius Melhem. As comparações, então, serão inevitáveis.


O Zorra Total estreou em 1999, unindo alguns dos melhores humoristas do país. Ao escancarar de vez para o popular, conquistou audiência e enfureceu a crítica especializada, que via aquele tipo de humor como desnecessário. Desde que a emissora afastou seu principal diretor, a ideia então era mudar tudo isso. Reaproveitou parte do seu elenco original e deu oportunidade para outros comediantes. A mudança era aguardada há um bom tempo por todos que esperavam o que a emissora líder iria fazer.

Se antes o motivo era apenas prender o espectador em frente da televisão, hoje talvez o programa queira ir mais além, fazendo-o refletir sobre o cotidiano. Pelo menos, foi isso que esse primeiro programa mostrou e, provavelmente, será essa linha que sua equipe queira seguir. O que pode ser sempre uma faca de dois gumes, porque se por um lado o público brasileiro gosta de se ver na TV, por outro, ele não aceita muito que riam dele.


Exibido aos sábados à noite, o antigo Zorra Total se apoiava num tipo de público que não sai de casa aos sábados, não tem TV por assinatura ou não sabe usar a internet. Com a mudança do horário do Altas Horas (agora começando mais cedo), foi possível identificar que existe um público antenado, que está em casa e que gostaria de um programa humorístico melhor do que aquele oferecido. Talvez, indo em busca desse público, a emissora ouviu a opinião deste público e buscou acertar em sua repaginação.

Como se pode perceber, programas de humor possuem vida longa em nossa TV, portanto que o novo Zorra seja mais um deles. E que nos faça rir, sempre.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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