18 de jun de 2015

Sense8 - 1ª Temporada: Impressões Finais





Há muito se fala da Era de Ouro da televisão americana. O conceito, que mostra que em vários aspectos a televisão vem produzindo novidades bem mais interessantes que o cinema, não é novo. Mas títulos como The Sopranos, Lost, Breaking Bad e Mad Men, apenas para citar alguns, mostra que ele é certeiro, e hoje não é incomum vermos uma migração de grandes nomes do cinema para a televisão, sejam eles atores de primeira linha ou diretores conceituados.

No momento, pelo menos duas séries estreantes e aclamadas pela crítica tem em seus créditos os nomes de diretores que já viveram os seus dias de glória nas telonas e, depois de uma onda não tão promissora, vêem a televisão como uma forma de reinvenção de suas carreiras. Claro que falo de M. Night Shyamalan e dos irmãos Andy e Lana Wachowski, responsáveis pelas queridinhas do momento Wayward Pines (que já ganhou um Primeiras Impressões por aqui) e Sense8, sendo essa última o assunto desse texto.

Lançada pela Netflix (e, por isso, é importante frisar que logo de cara os espectadores tiveram os 12 episódios da primeira temporada da série já disponíveis), Sense8 era uma série aguardada devido ao seu tema e conceito, o que já faria dela uma forte candidata a queridinha ou odiada, dependendo unicamente de sua realização. Para a maioria das pessoas, entretanto, venceu a primeira opção e, por isso, muita gente espera ansioso - eu incluso! - a segunda temporada da série.

Mas o que essa série tem de tão legal a ponto de fazer muitas pessoas fazerem maratonas ininterruptas para conseguirem chegar logo ao final de seu 12º episódio? Devo dizer: MUITA COISA!  A começar pela trama que, apesar de confusa à primeira vista, é tão bem desenvolvida que é impossível não se render a ela e embarcar na proposta apresentada. Oito pessoas ao redor do mundo (de lugares tão distintos quanto EUA, Inglaterra, Coréia do Sul, México, Quênia, Alemanha e Índia), se vêem conectados mentalmente de uma hora para outra, depois que uma mulher se suicida em Chicago, aparentemente para salvar outras vidas. Essa conexão mental, entretanto, é bem mais do que um WhatsApp no cérebro, já que permite que eles interajam entre si mesmos sem saírem de seus respectivos lares, mas também acessem as habilidades individuais de cada um, quando isso se faz necessário.



É claro que a série é uma grande ficção científica, que flerta com super-poderes, mas faz isso com uma sensibilidade incrível. E se temos um grande vilão que vai se desvendando aos poucos, ouso dizer que tudo isso é na verdade uma grande alegoria para aquilo que Sense8 é na verdade: um grande tratado sobre a inclusão e a tolerância, sem que faça isso de forma panfletária ou gratuita. A série te leva a refletir e a embarcar na vida dessas oito pessoas, que poderiam ser qualquer um à nossa volta, inclusive nós mesmos.

Contando com um elenco primoroso e bem escalado, nunca se viu tanta diversidade em uma única série como em Sense8. Há brancos, negros, hispânicos e orientais, mas também há heteros, gays, lésbicas e até mesmo uma transexual entre os personagens. E essa diversidade é tratada de maneira tão natural pela série, que é impossível não nos lembrarmos do auê que foi a exibição de um beijo entre Nathália Timberg e Fernanda Montenegro em Babilônia e pensar na ~tradicional família brasileira~ de boca aberta com as incríveis e naturais cenas de sexo (de todas as orientações e possibilidades, acredite em mim) da série.

E com uma direção segura, efeitos especiais incríveis, trilha sonora arrasadora e atuações acima da média, Sense8 prova que não é apenas uma série bobinha como tantas outras que estreiam por aí. Os irmãos Wachowski provam aqui que Matrix não foi um acidente em seus currículos, já que conseguem levar-nos a embarcar em uma viagem psicodélica complexa, sem nos confundir com tudo que acontece em tela.



Sobre os atores, que achados, meus caros! Vivendo os oito protagonistas, temos Brian J. Smith (o policial Will, de Chicago), Doona Bae (Sun, de Seul), Max Riemelt (Wolfgang, de Berlim), Tina Desai (Carla, de Dubai), Aml Ameen (Capheus "Van Damme", de Nairóbi), Jamie Clayton (Nomi, de São Francisco), Miguel Ángel Silvestre (Lito, da Cidade do México) e Tuppence Middleton (Riley, de Londres). Cada um deles com suas características próprias, defendendo personagens tão distintos e, mesmo assim, interligados. Mas, entre eles, tenho de citar Jamie Clayton, que vive a transexual Nomi, sendo a própria atriz transexual e de uma interpretação natural e sensível.

Com episódios longos (o primeiro tem mais de uma hora de duração e os demais, por volta de 55 minutos), Sense8 nunca é chata e nos faz sempre querer saber como aquela história irá se desenrolar, apresentando clifhangers impactantes aos finais de cada um.

Além disso, a série possui alguns momentos musicais impactantes e inesquecíveis, que ficam marcados mesmo depois de acabarmos de ver os episódios. E aqui tenho de citar a incrível cena ao som de What's Up, da banda 4 Non Blonds, que marca a primeira conexão mental dos oito sensates ao mesmo tempo, no episódio 4; e a comentada cena de sexo, ao som de Demons, do Fatboy Slim, envolvendo grande parte dos personagens, no episódio 6.

Incrivelmente viciante, Sense8 vale a conferida, tanto para ser assistida calmamente, com cada um dos episódios sendo digeridos e aproveitados; ou através de maratonas, daquelas que a gente não consegue abandonar até chegar ao fim de todos os episódios disponíveis.

Fica a seu critério e gosto a melhor forma de aproveitá-la. Só não perca, porque a série realmente vale a pena e a investida.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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