28 de jul de 2015

#BaúPop: À Beira da Loucura, de John Carpenter





Realidade e ficção estão geralmente próximas, seja em qualquer sentido, especialmente quando vemos uma ficção mais cotidiana, um drama, por exemplo. Mas, e quanto aos filmes de terror? Será que existem os loucos dispostos a matar sem fim, ou monstros debaixo de nossas camas ou dentro de nossos armários? Qual o limite da realidade e da loucura? 

Comecei com essas perguntas, pois para mim elas resumem o núcleo da trama de À Beira da Loucura (In The Mouth of Madness, no original), dirigido pelo bem conhecido no âmbito do terror, John Carpenter no ano de 1994. À Beira da Loucura é um filme que coloca em nosso senso de realidade, fantasia e loucura, te fazendo pirar (literalmente) o cabeção. 

No filme, John Trent é um investigador freelancer de uma companhia de seguros, investigando e quebrando fraudes. Um dos seus casos é o de um escritor muito conhecido do gênero terror/suspense, Sutter Cane, desaparecido dois meses antes do lançamento do que estava para ser seu melhor livro. Trent, naturalmente, imagina que toda a história do desaparecimento não passava de um golpe publicitário, muito proveitosos visto que os leitores fazem filas para comprar o livro, tal como também os que leem o trabalho de Crane passam a partilhar um pouco da loucura e, como investigador defendendo interesses, Trent sai à procura de Cane, que aparentemente se encontra numa antiga cidade, com o mesmo nome da cidade que usa em seus livros. Falar mais não seria interessante, mas só adianto que ele consegue encontrar a tal inexistente cidade. 


O leitor um pouco mais ligado ao universo do terror talvez consiga ligar o filme a um dos grandes escritores do terror do século passado, H.P Lovecraft, a começar pelo título. Lovecraft possui um livro chamado At the Mountains of Madness, e as coincidências não param por aí. A trama toda aparenta ter saído do universo mitológico criado por Lovecraft e isso, para os fãs do escritor, fica bem claro ao verem o filme. 

A densidade e a pressão da própria história e da perspectiva dos personagens nos coloca em uma dimensão à parte, sufocante e de fato enlouquecedora. O roteiro, priorizando, às vezes, tanto os bons sustos quanto a tensão psicológica, apesar das referências, traz um sopro de originalidade em cada desfecho e reviravolta. O elenco soube fazer sua parte, mas não muito além do essencial, salvo Sam Neill (Trent), que fez jus a seu personagem. Com uma condução bem orquestrada pelo senhor Carpenter, que consegue nos induzir a perceber o que os personagens principais parecem sentir a cada grande momento do filme. 

No mais, o filme é muito bom, não sei o motivo de não ser tão conhecido. Talvez seja uma dessas injustiças, como a que H.P Lovecraft também parece ter vivido em relação à sua obra. Recomendo para os fãs de Lovecraft, pois é uma das melhores adaptações de sua obra como um todo. Porém, para quem não sabe do que estou falando, o filme pode até parecer melhor e será uma porta de entrada para esse estilo. Carpenter fez um filme que deve ser visto, não percam a loucura, façam sua realidade. 

OBS: Tenho muito a agradecer ao Diego Costa por ter me apresentado este filme e, o que ninguém precisa saber mas desde já revelo é que: eu fiquei morrendo de medo!

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Fernando Santos  
Fernando Santos, mineiro nascido no dia do amigo/dia da amizade (20 de julho). Publicitário, se vê como uma mistura da cultura pop emanada dos meios de comunicação em uma tentativa de dialogar e tomar da fonte de todas as mídias.
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