17 de jul de 2015

#BaúPop: Ensina-me a Viver




Harold é um jovem de 20 anos cheio de problemas, que tem uma mãe milionária e controladora que vive arrumando moças para que ele namore. Mas Harold só tem interesse por uma coisa: a morte. Ele frequenta funerais de desconhecidos, tem um carro fúnebre e encena sempre uma tentativa de suicídio quando tem que encontrar uma possível pretendente arranjada pela sua mãe.

Maude é uma senhora excêntrica de 79 anos, que é cheia de vida. Ela adora cheirar e tocar nas coisas, inclusive guarda estes cheiros em sua casa, o vagão de um trem abandonado. Ela não se importa com as regras que a sociedade dita. Quando conhece Harold eles se tornam inseparáveis. Maude tem uma forma de vida peculiar que cativa o jovem, que se apaixona e quer se casar com ela.

Ensina-me a Viver (Harold and Maude, no original) é um filme de 1971, que foi um grande fracasso na época. Ninguém queria saber das desventuras de dois outsiders excêntricos. Mas o tempo foi suficiente para hoje ele se tornar um filme cult. É interessante observar a excelente Ruth Gordon; é mais um grande desempenho da atriz. Ela é a força vital de toda história. Bud Cort é um ator que ficou no ostracismo ao longo do tempo, talvez este seja seu grande momento nas telas, e ele conduz o jovem Harold com uma grande sensibilidade. A cena em que ele acorda logo após fazer amor com Maude é linda e seu olhar de satisfação diz tudo.


Olhando bem de longe, pode-se pensar que a temática dos opostos se atraem é levada ao pé da letra, entretanto, existe entre Harold e Maude muito mais semelhanças que diferenças. Eles são dois seres incompreendidos pela sociedade. O filme surgiu no auge da contracultura e usa temas que até hoje incomodam, afinal, o ser humano não gosta de se ver retratado e prefere rir e zombar dos outros. O diretor Hal Ashby soube aproveitar o duo central muito bem, já que a narrativa dependia da química entre eles. Interessante que ele se tornou um mestre em criar personagens marginais, foi assim com Shampoo, Amargo Regresso e Muito Além do Jardim, filmes posteriores a Ensina-me a Viver.

Outro fato que vale ser lembrado é a soberba trilha sonora do filme, composta pelo então Cat Stevens. Ensina-me a Viver foi adaptado para o teatro (no Brasil houve uma versão com Glória Menezes) e pode ser descrito como um verdadeiro libelo a favor do amor. Não importa a idade, não importam as convenções, o amor é a unica coisa que realmente importa. 

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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