14 de jul de 2015

Primeiras Impressões: Scream





Depois de dois episódios exibidos, já é possível afirmar: Scream, a série, não tem absolutamente nada a ver com Scream, o filme (mais conhecido no Brasil como Pânico). Mais que isso, Scream é uma série bem da sem vergonha, que se utiliza do "nome" famoso para apresentar uma trama genérica de terror adolescente, mas que não tem nem de longe o charme da história original. Algum ponto positivo? Sim, acredite, apesar de tudo, Scream é divertida, já que não se leva a sério (deveria?) e nos leva a acompanhar seu fio de história, rindo dos absurdos e da idiotice de seus personagens. 

Quando assisti ao primeiro episódio, tive de me perguntar: mas por que cargas d'água a série se chama Scream se não tem absolutamente nada a ver com o filme? Esqueça Sidney Prescot, Gale Weathers ou Dewey Riley. Os personagens de Neve Campbell,  Courteney Cox e David Arquette não tem nada a ver com a história dessa série, que não usa nem mesmo a máscara original e clássica do Ghost Face. Como assim, Brasil? Pesquisando (e usando os meus amigos viciados e com um ar meio Wikipedia de ser), descobri que a Miramax, detentora dos direitos do filme, proibiu a utilização da máscara e dos personagens clássicos aqui. Mas, e o nome, não é o mais importante? 


Nessa """versão""" moderna do clássico, somos apresentados a um grupo de adolescentes, depois que Nina, a bitch do grupo, é assassinada dentro de sua própria casa por um assassino mascarado. É claro que os personagens não sabem disso, e se assustam com a possibilidade de um retorno de Brandon James, um assassino em massa que, em um noite dos anos 90, matou diversos adolescentes da cidade, tendo sido detido por um policial, mas que nunca teve seu corpo encontrado. É claro também que os únicos sobreviventes desse massacre são os pais da mocinha dessa história. Clichê? Imagina!

E os personagens são estereotipados até o limite da alma. Tem a mocinha justa e certinha, que se culpa pelo comportamento de bitch da amiga falecida; a bissexual confusa que, no passado, foi a melhor amiga da mocinha certinha; o nerd viciado em histórias de terror, que explica tudo que se passa para as outras pessoas, sendo a "voz" da série para o telespectador (e que por isso, acredito, vai ser um dos últimos a morrer); a jovem livre e desimpedida que tem um caso com o professor; o atleta namorado da mocinha, mas que teve um caso com a bitch; o novo aluno, filho do policial, que chega para deixar o atleta enciumado. E por aí afora. Todos rasos como um pires e interpretados por jovens atores (ponto pra série, que não escalou adultos se fingindo de adolescentes) que devem acreditar que fazer caretas é interpretar. Isso, aliado a um roteiro cheio de frases feitas e de chavões bobos, poderia ser um desastre. Mas não é, acredite, já que como a série não se leva a sério, a gente acaba se divertindo.

Se há algo realmente bom herdado da franquia original dos filmes Pânico, isso é a metalinguagem da história, que conversa com o seu público e faz isso muito bem. Aliás, nos dias atuais, o ar meio Gossip Girl da trama, com o uso de aparelhos modernos como smartphones e mil redes sociais, além das citações pop de séries e filmes diversos, é como uma lufada de novidade para a produção. Uma cena específica do segundo episódio, por exemplo, lembra demais as famosas cenas de GG, com todos os personagens recebendo um vídeo ao mesmo tempo em seus celulares.


No fim das contas, o que interessa aqui é que a série poderia se chamar Scream, Urban Legend ou I Know What You Did Last Summer. Ou simplesmente ganhar um nome novo e original, o que, sinceramente, acho que seria bem mais honesto. Mas, assumidamente caça-níquel, Scream vem conseguindo prender nossa atenção com cenas divertidas e bem produzidas, MUITO sangue cenográfico (em poucas mortes, até o momento) e algumas perguntas que prometem prender nossa atenção pelos próximos episódios dessa "homenagem" meio torta a um clássico do terror adolescente.

Querendo ou não, a MTV acertou ao produzir e exibir a série, podendo ganhar um novo público para o gênero, ao mesmo tempo em que atrai os fãs da clássica trama para dar uma espiadinha sem compromisso em sua nova versão televisiva e nonsense

Fora que deve ser um alívio para Sidney Prescott não ser mais a vítima do Ghost Face. Será?

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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