27 de jul de 2015

Red Band Society: Considerações Finais




Ok, eu bem que tentei acompanhar todos os episódios da série, juro que tentei, para escrever o que achei de tudo, mas não deu. Adolescentes com doenças graves, uma enfermeira linha dura, mas de bom coração, um médico bonitão, um hippie rico e hipocondríaco. Somamos tudo isso e temos uma série que estreou a pouco tempo aqui no Brasil na Sony, com bastante atraso, diga-se de passagem. Red Band Society tenta ir além dos dramalhões que nos acostumamos a ver quando juntamos personagens dentro de um hospital. Isso porque ela discute assuntos difíceis e, também, porque seus personagens principais são crianças lidando com a morte. De fato, um assunto deveras complicado.

Baseada numa série de TV espanhola, aqui temos uma aposta no lúdico, usado amplamente para comover e fazer rir. As situações são trágicas, óbvio, mas apresentadas de uma forma mais despretensiosa. Primeiro, porque é narrada por uma criança em coma, o jovem Charlie, um garoto de doze anos que consegue perceber tudo que acontece ao seu redor. Suas tiradas a respeito de todos e sua capacidade de lidar com tudo aquilo é o que conduz a série. Digamos que as situações são vistas por ele, o que ameniza muito toda a dor. No primeiro episódio ele nos apresenta os personagens principais. 

Primeiro vemos Kara, uma linda e perversa líder de torcida, que desmaia durante um treino. Vale salientar a caricatura da líder de torcida do mal, que parece que fez mesmo escola na TV. Logo em seguida ele nos apresenta Jordi, que possui sarcoma de Ewing e terá sua perna amputada. O adolescente irá dividir o quarto com Leo, que pelo que deu pra perceber é uma especie de líder do grupo, que está há muito tempo internado com osteossarcoma e já perdeu uma das pernas por isso. Ao conhecer Leo, Jordi pede que ele explique como é essa dor de ter um membro amputado. É de Leo uma das melhores cenas do episódio, quando ele diz pra Jordi que a dor maior é saber que ela, a perna, um dia esteve lá.


Enfim, por estarem internadas, as crianças estudam lá mesmo, e por isso conhecemos Emma, uma garota anoréxica, mas muito, muito inteligente. Ela e Leo tiveram um breve romance, mas agora vivem às turras. Junto com Kara, rivalizam-se. Por fim há Dash, o melhor amigo de Leo, que possui fibrose cística. Coube a ele o personagem engraçado que quer perder a virgindade a todo custo com a enfermeira bonita do hospital.

Com a chegada de Jordi, os garotos são convencidos por Ruben - o tal velho excêntrico e rico hipocondríaco que mora no hospital e pretende deixar tudo pra ele - que devem fazer uma festa de despedida para sua perna. É daí que surge a sociedade do título da série. Seus problemas foram apresentados de uma vez, sem conversa fiada. Neste primeiro episódio conhecemos também a enfermeira Dena, interpretada por Octavia Spencer. Ela controla tudo, parece ser uma víbora, mas não é e se importa com aquelas crianças mais do que aparenta.  

O grande problema da série e, talvez por isso ela tenha sido cancelada, é que não possui ganchos fortes para fazer com que alguém tenha vontade de assistir o próximo episodio. É tudo na média, sabe? As atuações são boas, mas se séries dependessem de grandes atuações não teríamos Glee e Grey's Anatomy. Fica tudo naquele banho-maria, qualquer um pode morrer, mas como matar um personagem principal?

Além disso, os dramas, por piores que sejam, não avançam a contento, ficam por ali na superficialidade. Por exemplo, Kara tem uma mãe que deixou o marido para se casar com a babá. o que a moça desaprova totalmente, mas o que poderia ser um bom momento na série, não surtiu efeito nenhum, já que a situação aparentemente foi resolvida; o pai de Charlie vive um drama que a série poderia ter explorado melhor, mas explicou logo para o público tirando aparentemente tensão que poderia existir mais adiante.

Dessa forma, tudo em Red Band Society fica nesse aparentemente, no meio do caminho, não conseguindo fazer rir nem chorar, porque falta profundidade no roteiro e, veja bem, são crianças à beira da morte, só isso basta para ser uma grande tragédia, mas suas histórias não são bem trabalhadas, soam vazias e é tudo morno. E talvez essa seja a melhor definição para a série: é morna e, sendo a TV americana tão competitiva não há espaço para séries que não esquentem.

Uma pena.

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Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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1 comentários:

Joyce Kelle Medeiros disse...

Concordo com a tua opinião. Essa não é daquelas séries que vc quer assistir mais e mais é apenas legalzinha. Parei no terceiro episódio.

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