21 de jul de 2015

Uma Nova Amiga, de François Ozon




Claire e Laura são melhores amigas desde os sete anos de idade. Elas crescem, passam juntas pela adolescência, casam-se. Claire batiza a primeira filha de Laura, que pouco tempo depois morre, deixando o marido, David, viúvo e sua bebê, Lucie, órfã.

Claire faz o discurso de despedida no enterro da melhor amiga e promete cuidar de David e Lucie, em nome da grande amizade. Arrasada com o falecimento de Laura, Claire tem dificuldades de superar a perda. Para preencher o vazio da falta da amiga, ela tenta se envolver nos cuidados com Lucie e ser solidária com David. Em uma de suas visitas à casa do antigo casal, Claire é surpreendida por uma descoberta inesperada:  viúvo de sua querida amiga é flagrado usando as roupas da falecida, dando de mamar para Lucie. Chocada, Claire tenta fugir da situação que a constrange, mas David insiste em explicar seus motivos. A partir de então, entre assustada e fascinada com a nova e inusitada situação, Claire cultiva uma inesperada amizade com Virgínia/David, sua nova amiga.

Esta é a premissa de Uma Nova Amiga (no original, Une Nouvelle Amie), novo longa do sempre bom François Ozon. Que de forma delicada e sutil, como é de praxe em suas histórias, nos apresenta o tema da identidade de gênero (transexualidade) e tudo o que pode ser despertado e revelado com ele.


De maneira magistral, Ozon desvela diante de nós inúmeras possibilidades. E ficamos sem saber com certeza os sentimentos reais dos dois protagonistas. E isso é maravilhoso, pois o final em aberto nos proporciona tirar nossas próprias conclusões.
  • Claire amava Laura profundamente. Mas será que este sentimento era apenas fraterno?
  • Claire e o marido Gilles tem um casamento tranquilo. Mas se amam de verdade?
  • Claire sente-se atraída por Virgínia, mas quando vão pra cama, não consegue continuar ao se dar conta de que anatomicamente ela é ele. Seria Claire lésbica, com desejos reprimidos por Laura, tentando exprimí-los na figura de Virgínia?

Nenhuma questão é respondida com clareza, mas a complexidade do tema é abordado de forma sublime com humor, drama e emoção na medida certa. Em nenhum momento o diretor pesa a mão e ainda põe uma pitada de suspense com um toque Almodovariano.

O elenco é bonito e competente. Romain Duris, que faz David/Virgínia, está magnífico; Anaïs Demoustier é apaixonante como Claire; e o lindíssimo Raphaël Personnaz, na pele de Gilles, é de arrancar suspiros. A fotografia é encantadora e a trilha sonora, uma emoção à parte.

No fim, fica a reflexão sobre a tão atual questão envolvendo as diferenças entre identidade de gênero e identidade sexual, através de um filme sensível e sofisticado.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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