25 de ago de 2015

Fragmentados, de Neal Shusterman





"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana; mas quanto ao universo eu não tenho certeza."- Albert Einstein
Depois do sucesso de Jogos Vorazes, as distopias passaram a dominar a literatura (e, consequentemente, o cinema). Entretanto, apesar de ler uma ou outra história, nenhuma me ganhou tanto quanto a trama de Suzanne Collins. Por isso, quando li sobre Fragmentados pensei: "jura, mais uma distopia com adolescentes?". Mas, curioso que sou, li a orelha do livro e me interessei pela trama. E, assim que comecei a leitura, me peguei preso na história, nos personagens e no universo criado pelo autor Neal Shusterman. É tipo, imperdível!

Lançado esse ano no Brasil pela Editora Novo Conceito, tem um detalhe interessante que precisa ser compartilhado: Fragmentados (Unwind, no original) foi lançado em 2007 nos EUA, um ano antes de Jogos Vorazes chegar às livrarias americanas. Ou seja, não é um livro que pegou carona no sucesso do primeiro. E, além disso, tem uma trama impecável e viciante.

No mundo criado por Neal Shusterman, depois de muita discussão e uma guerra terrível, conhecida como Guerra de Heartland, a Leia da Vida entrou em vigor. Por ela, nenhuma vida humana pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue aos 13 anos, acabando assim com o abordo de bebês. Entretanto, entre os 13 e 18 anos, a mãe ou o pai (ou o Estado, em alguns casos) pode escolher "abortar" retroativamente uma criança, com a condição que a vida não tenha "tecnicamente" um fim. Esse processo, onde uma criança "problemática" é eliminada e mesmo assim mantida viva é a "fragmentação", onde cada parte desses jovens é desmembrado e usado em transplantes. No universo de Fragmentados, a fragmentação é então uma prática comum e aceita pela sociedade.

É então que conhecemos Connor, Risa e Lev, os três protagonistas dessa história. Três jovens distintos, mas com um mesmo destino: a fragmentação. Connor teve sua ordem de fragmentação assinada por seus pais, por ser um garoto difícil. Risa, tutelada pelo Estado e vivendo em uma instituição do governo, não se destacou em nenhuma área específica e foi mandada para a fragmentação por isso. Já Lev é um dízimo, uma oferenda de uma família religiosa, que o teve exclusivamente para ser mandado para a fragmentação quando completasse 13 anos. Depois de um acidente provocado por Connor, que fugia de seu destino, os três acabam juntos e tornam-se fugitivos perseguidos pela polícia responsável por mandar os jovens para a fragmentação.

Com capítulos curtos, Neal Shusterman consegue prender nossa atenção em cada página de Fragmentados. E o autor é excelente ao conseguir inserir o assunto religião nas páginas do livro sem se tornar ofensivo ou catedrático. E consegue algo que é imprescindível para o sucesso de uma obra da literatura distópica: nos faz acreditar que sim, uma sociedade como aquela é possível. 

Além disso, Connor, Risa, Lev e os demais personagens do livro são interessantíssimos. Você quer saber mais sobre cada um deles, preocupando-se verdadeiramente com seu futuro. E como o autor não é condescendente, você realmente não sabe se eles conseguirão escapar de seu futuro, sendo fragmentados ou não. 

Há muito eu não experimentava uma sensação que somente os bons livros tem sobre mim: eu queria chegar logo ao final para saber o que acontecia, mas não queria que a história terminasse, para eu não ter que me despedir daqueles personagens e daquele universo.

O legal é que pesquisando sobre a história, descobri fatos interessantes. Apesar de Fragmentados ser um livro que tem uma história com início, meio e fim (mesmo que levantando dúvidas nos leitores sobre o futuro dos personagens), com o sucesso da obra original, o autor Neal Shusterman desenvolveu outras três continuações do livro, a saber UnWholly (lançado em 2012, nos EUA), UnSouled (lançado em 2013, nos EUA) e Undivided (lançado em 2014, nos EUA). Ou seja, já fica o apelo: lança logo Novo Conceito!

Dessa forma, indico sem medo de errar: leia Fragmentados e se apaixone por essa incrível distopia criada por Neal Shusterman! 

Autor: Neal Shusterman
Páginas: 319

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Jessica Santos disse...

Olá. Gostei muito da resenha. Você conseguiu me vender esse livro!! Agora terei que ler de qualquer jeito. rsrs
Beijos
relicariodepapel.wordpress.com

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