6 de ago de 2015

Interestelar, de Christopher Nolan




Devo admitir que nunca acompanhei as obras de Christopher Nolan. Sua relevância como diretor para mim veio através da trilogia do Cavaleiro das Trevas, porém, me interessei bastante quando ele anunciou Interestelar (Interstellar, no original), mas por diversos motivos, infelizmente, não pude assistir ao filme no cinema e, recentemente, acabei por vê-lo no conforto de meu lar, e simplesmente fiquei boquiaberto com o que vi. 

Apoiando-se, obviamente, em gigantes como 2001: Uma Odisseia no Espaço, Christopher Nolan construiu seu longa-metragem gerando muita expectativa e, de uma hora para a outra, jogando para o alto tudo o que esperávamos, trazendo uma experiência íntima e sensorial, definitivamente marcante. 

Tudo começa no planeta Terra. A distopia que tanto vemos na ficção de hoje em dia se faz presente aqui, e nos vemos próximo da extinção da raça humana. Nolan não gasta tempo explicando como tudo ficou daquele jeito, ao invés disso, nos coloca dentro dessa problemática. Os homens ainda lembram de como era antes, em diversos momentos ouvimos o “no meu tempo” ou “antes de tudo isso”, indicando não só o saudosismo dos personagens, como traços de esperança. 

A sobrevivência se torna uma luta contra o relógio e não existe esperança de o governo solucionar o problema. Prova disso é que as crianças são educadas para acreditarem que o homem nunca pisou na lua e que a NASA é uma fábrica de mentiras tal como Hollywood. Cooper (McConaughey) é um ex-piloto que mora com seu sogro (John Lithgow) e seus dois filhos, mas tem pesadelos diários que o fazem ter certeza que ainda há algo no mundo para ele fazer. Um senso de urgência que o cega para as coisas realmente importantes. Movido pela esperança de salvar seus dois filhos do iminente destino que os aguarda, ela aceita a missão de encontrar um novo planeta para o homem, seguindo por uma viagem que o leva, através de um buraco de minhoca, para outra galáxia.

Iniciada a jornada para um novo lar para a raça humana, Nolan nos leva por cenários impressionantes, sabendo oscilar entre grandes planos abertos – captando a espaçonave à distância – e os closes que conseguem transmitir fielmente as emoções de cada personagem. As cenas do espaço são realmente magnificas e de uma qualidade realística impressionante; da Terra à Saturno, cada visão dos planetas soa única na tela, e nos dá a impressão de estarmos na nave junto com os solitários astronautas.

Mas o mais importante e evidente dentro de toda a trama e que os protagonistas não nos deixam esquecer é o porquê dê tudo aquilo estar acontecendo, que são suas famílias que sempre ficam em primeiro plano, sejam por seus diálogos ou dos momentos em que assistem as gravações enviadas por eles. Numa dessas cenas, Matthew McConaughey consegue mostrar todo seu talento e emociona o telespectador, provando mais uma vez que vive seu melhor momento na carreira.


Por fim, Interestelar pode, e deve ser visto sob três óticas. A primeira, e mais óbvia, é a de um filme de ficção cientifica, cheio de teorias e soluções inimagináveis que uma viagem ao espaço pode trazer. Nolan toma para si diversos estudos sobre física, espaço e tempo, modificando-os de forma a contar sua narrativa. Ainda que o longa se passe em plano espacial, os planetas visitados pelos protagonistas são quem ganham maior atenção do diretor, criando mundos inóspitos com interessantes designs de produção. Toda a parafernália técnica também está lá, sempre algo que chama a atenção do espectador. 

O longa também pode ser visto sob a ótica de um filme de tragédia iminente. Foi interessante perceber a visão dos irmãos Nolan para o fim do mundo. Vemos os humanos voltarem sua atenção para princípios básicos como o plantio e o cultivo para tentarem manter-se vivos. Nada de ameaça alienígena ou asteroides gigantescos em colisão com a Terra. Nós, os humanos, acabamos com nosso planeta e estamos sofrendo a consequência. Não é difícil imaginar que isso possa vir a acontecer conosco no futuro, e essa sensação de realidade mostra-se um ponto forte da obra, como é costumeiro em sua filmografia. 

A terceira forma de se assistir Interestelar é sob a ótica do ser humano. Afinal, trata-se de uma história sobre pessoas. O primeiro ato do longa deixa isso claro ao reservar preciosos minutos construindo a amável relação de Cooper e sua filha Murph (Mackenzie Foy), de 10 anos.


Afirmo com toda certeza que esse é um daqueles filmes memoráveis e que entra para a galeria de grandes obras de ficção do cinema. Não é o novo 2001: Uma Odisseia no Espaço, e nem deve ser comparado a ele, entretanto, tem seu próprio espaço e mérito.

Uma salva de palmas para Christopher Nolan, que superou a expectativa mais uma vez.

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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