11 de ago de 2015

True Detective - Segunda Temporada: Considerações Finais





Chegou ao fim no último domingo a segunda temporada de True Detective, que havia voltado gerando imenso interesse. Primeiro, porque o primeiro ano da série deixou em todos um imenso gosto de quero mais; segundo, porque seus protagonistas não se fariam presentes. Mesmo contando com um novo elenco estelar, todos apostavam que a essência de True Detective estaria mantida.

Pois é.

Acredito eu que caíram todos na pegadinha dos autores que deixaram de lado a ação não linear da primeira temporada e a atmosfera que brincava com o sobrenatural. A segunda temporada apostou no presente. Em todos os sentidos. Aqui vemos que ninguém é totalmente bom ou totalmente mau. Estamos todos do mesmo lado, o seu próprio lado. E por isso determinadas ações justificam-se.

Será?

A direção optou por uma narrativa demasiadamente lenta. Quem teve paciência para acompanhar os oito episódios pode perceber que a história só começou andar a partir do penúltimo capítulo, já que até então tudo ficava no ar. E por mais que tentassem descer no nível mais denso da camada proposta pelos autores, as coisas continuavam paradas, entregando muito pouco de sua história.


Não que isso fosse algo ruim. O grande problema desta temporada foi mesmo o excesso de personagens, que confundiu o público. Enquanto no primeiro ano as coisas estavam todas centradas na dupla Matthew McConaughey e Woody Harrelson, esta contou com quatro protagonistas com histórias distintas e complexas. Eram suas histórias, que por ordem do destino se entrelaçavam em determinado momento.

Se por um lado isso foi bom para os atores, que puderam defender grandes caracterizações, por outro lado cansou em demasia. Havia uma trama a ser contada que, por mais que soubéssemos que era o fio condutor de tudo aquilo, muitas vezes se mostrava tão complicada que ficava em segundo plano.

True Detective provou que a televisão americana está se tornando um celeiro de grandes possibilidades para autores, diretores e atores. A primeira temporada mostrou isso, a segunda ficou devendo, mas mesmo assim é um exemplo de que aqui no Brasil nossos roteiristas estão ainda imensamente atrasados. Que venha um terceiro ano da série!

Leia Também:
Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
FacebookTwitter


0 comentários:

Share