16 de set de 2015

A Garota no Trem, de Paula Hawkins






Não sei vocês, mas eu adoro um bom suspense. Acho que histórias intrincadas, que nos levam a pensar e a tentar montar os quebra-cabeças propostos por seus autores são as melhores. E, quando o autor é bom, gosto muito de ser surpreendido por revelações que, apesar de óbvias depois de descobertas, até serem reveladas permaneciam um mistério para mim.

Paula Hawkins, uma nova autora sensação e já dona de um best-seller, nos propõe um jogo do tipo com seu primeiro romance, A Garota do Trem, que li recentemente. Vendido como um livro na linha do sucesso Garota Exemplar, a história é realmente envolvente e dinâmica, mas, preciso confessar (com um pouquinho de orgulho): eu matei a charada bem antes dos capítulos finais da trama. 

Na história, acompanhamos a rotina de Rachel, uma mulher que diariamente pega o trem das 8h04 de Ashburry para Londres e, no fim do dia, refaz o trajeto em sentido contrário. Com uma vida em frangalhos, já que não superou a separação do marido (que já se casou novamente e tem um filha pequena) e foi demitida, Rachel é alcoólatra e, durante esse trajeto, acaba obcecada pelos habitantes de uma casa em especial que avista de sua janela do trem, pelo menos duas vezes por dia. Seu encanto pela vida aparentemente perfeita do casal é tanta que ela cria nomes imaginários para eles - Jess e Jason - e, quando Jess, que na verdade se chama Megan, desaparece e vira assunto dos jornais, ela se vê envolvida em uma trama em que pode ser uma testemunha, apesar de desacreditada por seu vício em álcool: ela viu Megan, através da janela do trem dias antes de desaparecer, aos beijos com um homem diferente de seu marido. 

Apresentado de forma que acompanhamos o ponto de vista de três personagens diferentes (além de Rachel, temos capítulos narrados por Megan, a desaparecida, e por Ana, a nova esposa de Tom, o ex-marido de Rachel), a escrita da autora Paula Hawkins é fluída e viciante. É fácil embarcar nas páginas do livro, ansioso por detalhes da história que estamos acompanhando.

Entretanto, se a trama não fosse tão bem amarrada, um defeito do livro poderia ser fatal: a protagonista Rachel é chata demais. Fraca e constantemente bêbada, Rachel é o tipo de pessoa que,na vida real, você não quer ter por perto. E, por isso, ter de acompanhar seu drama é por vezes doloroso e entediante. Em minha opinião, os capítulos centrados em Megan e Ana são bem mais interessantes, já que apesar de Rachel ser a protagonista da história, ela não causa empatia aos leitores.

De qualquer forma, com uma boa trama que aguça nossa curiosidade, vamos, página a página, mergulhando no jogo proposto por Paula Hawkins e querendo saber o que efetivamente aconteceu com Megan. E, mesmo se você for como eu e matar o intrincado segredo da trama, continua valendo a pena a leitura, já que a autora consegue prender nossa atenção até o final do livro.

A Garota do Trem é, dessa forma, um excelente entretenimento que vale, certamente, a leitura.

Autora: Paula Hawkins
Páginas: 378
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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