17 de set de 2015

#BaúPop: Efeito Borboleta





Sou daqueles que gostam de um bom filme, não importa o gênero, desde que a trama seja bem desenvolvida e executada. Exatamente por isso resolvi revisitar um de meus filmes prediletos e relatar a minha opinião sobre o mesmo. 

Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, no original) foi lançando no ano de 2004 e nos apresenta uma trama complexa e totalmente envolvente, é um daqueles filmes que te prendem do início ao fim da exibição. E a grande questão do filme é:
“Se pudesse mudar algo que aconteceu em sua vida, o que seria? Já pensou em quais efeitos essa mudança traria? ” 
A história começa com Evan (Ashton Kutcher) adolescente entrando desesperadamente em uma sala, colocando móveis na frente da porta e escrevendo uma carta bem tensa sobre o seu possível fim. Logo depois a história volta alguns anos, mais precisamente para quando Evan tinha apenas sete anos de idade. Por alguns bons minutos o filme desenvolve os personagens em várias ótimas situações, que devem ser vistas com atenção, já que o filme revisa esses acontecimentos mais para a frente. É exatamente aquele tipo de filme que você não entende nada por um tempo, para depois juntar todas as peças do quebra-cabeças. 


Nesse tempo de desenvolvimento, acabamos conhecendo uma característica bem peculiar de Evan: sua falta de memória. Parece que a mente do rapaz simplesmente deleta alguns momentos de sua vida, e isso é MUITO bem representado no filme. Isso porque conseguimos sentir exatamente o que uma pessoa na mesma situação sentiria. É usado um recurso de montagem genial. Tente imaginar a cena para entender melhor: você está vendo o filme, normal, e o diretor opta, em certo momento importante do filme, por usar a câmera em subjetiva, ou seja, com a gente vendo exatamente a mesma coisa que o personagem vê (a câmera funciona como seus olhos). Só que, do nada, há um corte brusco e logo depois já há o resultado de alguma coisa que aconteceu e não sabemos o que – exatamente a mesma situação pela qual passa o personagem. Por exemplo: em certo momento vemos Evan conversando com seu pai na cadeia e, após esse corte brusco, já temos o pai em cima dele, enforcando-o. 

Esse recurso também é usado quando Evan é retratado um pouco mais velho, com treze anos. Novamente o filme constrói diversas situações que serão revistas posteriormente, então é bom ficar atento a essas passagens para depois não ficar perdido. É uma pena que, quando Ashton Kutcher entre em cena, esse recurso seja deixado de lado, pois o personagem passa justamente a lembrar o que aconteceu nesses períodos onde sua memória aparentemente não registrava o que estava acontecendo.


Numa dessas lembranças Evan percebe que, na verdade, ele pode voltar no tempo e alterar o passado, entretanto, isso acaba se refletindo no futuro, assim como mencionado logo no começo do filme, na Teoria do Caos: 
“É dito que algo tão pequeno como o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo”. 
O desencadear das decisões de Evan é que abrem margem para os dramas do protagonista, pois a cada momento que ele altera o seu passado a linha do tempo modifica seu presente e isso se transforma numa situação distorcida e mais complexa que as anteriores. É interessante como os personagens secundários são extremamente importantes dentro da narrativa principal, sofrendo diversas mudanças comportamentais de acordo com alterações exercidas por Evan, como por exemplo a própria mãe do protagonista que, numa das versões do presente, desenvolve um tumor pulmonar. 

O filme é instigante, claro que tem seus defeitos, porém nada que abale a construção da história. Até o desfecho escolhido é honroso e muito bem embalado pela canção da banda britânica Oasis, se bem que o filme apresenta além do final tradicional mais dois finais alternativos, um bem clichê e outro totalmente surpreendente. 

No final, ainda fica uma discussão a respeito da pergunta feita no início deste texto: se pudesse alterar o passado você o faria?

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Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
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