23 de set de 2015

#BaúPop: Um Tira da Pesada




Não temos como negar que o mundo evoluiu de forma absurda e, em muitos aspectos, isso trouxe muitos benefícios para nós, avanços em áreas fundamentais como saúde, comunicação, dentre outras. Esse avanço também se fez presente no entretenimento, como no cinema, onde vemos novas tecnologias que permitem criar efeitos e cenas antes pensadas como inatingíveis e hoje são feitas naturalmente. Entretanto, não se pode subjugar as obras feitas antes desse período tecnológico. 

Umas dessas obras é o tema da nossa coluna de hoje, o filme de 1984, Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop, no original), que tem uma premissa bem básica e costumeira para os padrões desse tipo de longa, as chamadas comédias policiais. O que vale destacar é que quando foi lançado, esse tipo de gênero cinematográfico não era tão comum quanto hoje. 

No filme somos apresentados ao desbocado detetive Axel Foley (Eddie Murphy), um daqueles policiais que acusam primeiro e investigam depois. Malvisto no departamento de polícia e desolado pelo assassinato de um amigo, vai por conta própria a Beverly Hills investigar o crime. Em mãos de atores que não fossem tão versáteis, é bem provável que esse seria apenas mais um filme de vingança pessoal e desmedida. Ainda bem que Eddie Murphy conseguiu o papel, pois é ele, e somente ele, que leva o filme nas costas, o grande astro em cena. 


Como a maioria dos filmes oitentistas, a história é simples, importando muito mais a maneira como ela é apresentada. Hoje parece inconcebível uma trama sem reviravoltas ou cenas épicas. Evidencia-se que a fórmula contemporânea exige maior agilidade e falsas surpresas do que a da década de 80 que, prezando pela simplicidade, executou muitas boas tramas. 

Um Tira da Pesada justifica com excelência a fama de seu protagonista, além de se popularizar também pelo tema de abertura. Representa bem uma fórmula não mais utilizada no cinema, mas que, ao se hibridizar, manteve a originalidade que muitos filmes contemporâneos não são capazes de produzir Em suma Axel Foley é a personificação da malandragem, pois é hilária a forma como o detetive de Detroit consegue manipular os policiais e demais pessoas da cidade de Beverly Hills como, por exemplo, quando se passa por repórter da revista Rolling Stones ou se passa por inspetor da alfandega. O que é impressionante é que Eddie Murphy não precisou fazer uma caracterização para se passar por esses personagens, apenas incorporou os personagens com grande maestria. 

O roteiro do filme não complica, a trama é simples e linear, escrito pelo então estreante Daniel Petrie Jr. Há tendenciosamente um grau unidimensional para o destaque do personagem de Murphy; não que os outros não sejam importantes e relevantes na trama, porém, o show é exclusivo de Eddie. 


Mesmo assim, vale mencionar, especificamente, a inocência juvenil de Rosewood, vivido por Judge Reinhold, e a rabugice engraçada de Taggart, vivido por John Ashton, que formam uma dupla de policiais, que em um primeiro momento antagonizam Foley, mas que depois se desarmam diante do carisma do policial de Detroit e passam a ajudá-lo. 

Enfim, Um Tira da Pesada em toda sua simplicidade gloriosa é um filme que vence com facilidade a barreira do tempo, sendo gravado na memória dos saudosistas de plantão e que prova sem sombra de dúvida que nem de grandes efeitos são feitos grandes filmes.

Leia Também:
Leandro Faria  
Artur Lima: aficionado por cinema, música, seriados e livros, não nesta ordem, apaixonado por dias frios e chá. Estudante de Comunicação Social, acha que sabe de tudo e sonha em trabalhar com cinema.
FacebookTwitter


0 comentários:

Share