4 de set de 2015

Mosquitolândia, de David Arnold




“A dor torna as pessoas quem elas são.” – Mim Malone 
Quantas vezes lemos sobre jornadas e amadurecimento? Existem filmes aos montes e mais um amontoado de livros sobre o assunto. Mosquitolândia pode e deve entrar nessa lista de livros com filmes sobre o tema, mas acredito que sua leitura realmente mude as pessoas. Ela me mudou pra valer enquanto, assim como sua protagonista, eu fazia uma viagem de ônibus. 

Mary Iris Malone sofreu uma série de mudanças em um curto espaço de tempo. Seus pais se separaram. Seu pai começou a namorar outra mulher, com quem se casou logo em seguida. E para fechar com chave de ouro, ela foi obrigada a morar em outra cidade. Basicamente 1.524 quilômetros longe de tudo e todos que conhecia. E não é por menos que ela, nossa protagonista, começa a história não estando nada bem. 

A trama se inicia basicamente com Mim – que é um acrônimo de Mary Iris Malone – escrevendo para Isabel, em uma espécie de carta-diário sobre o que anda acontecendo em sua vida. Assim, de maneira pessoal e pelo ponto de vista de nossa heroína, é possível nos colocarmos, algumas vezes, em seu lugar. Afinal, já estivemos em algum momento em busca de verdades sobre o mundo e sobre as pessoas que nós pensamos que conhecemos muito bem. 

Durante sua viagem de ônibus de Jackson, Mississippi, até Cleveland, Ohio, Mim vai conhecer todo tipo de pessoa. Assim como eu e você conhecemos outras pessoas quando menos pretendemos e estamos dispostos a conhecer. E isso vai da senhorinha simpática chamada Arlene, até Walt, um menino com síndrome de Down. A trama pode parecer até clichê ao misturar pessoas diferentes em um universo de uma personagem com 16 anos que é toda cheia de si, com tiradas inteligentes que sempre aparecem recheadas de muita citação da cultura pop. Mas quem disse que ser clichê é ruim? Muito pelo contrário. 

Em seu livro de estreia, David Arnold até sai um pouco da caixinha que conhecemos tão bem das histórias sobre e para adolescentes. O novo autor, ou autor estreante, inclui alguns debates atuais ao longo de 348 páginas. Não sei se foi por me colocar, coincidentemente, em um ambiente similar ao que Mim Malone enfrenta boa parte do livro, um ônibus de viagem, mas fui capturado pela narrativa e me vi completamente encantado por inúmeras frases de efeito e que acertam em cheio a nossa vontade de compartilhar com o mundo pelas já famigeradas redes sociais. Talvez esse possa ser o grande ponto de Mosquitolândia, ser tão certeiro ao falar com essa geração que sabe de tudo, entende tudo, mas no fim das contas, não vive literalmente nada. 
 “Porque a vida raramente é como você imagina.” - Mim Malone 
Uma das coisas mais sensacionais da história é ler referências musicais e cinematográficas. Não só em cenas clássicas de filmes, mas no gosto musical da protagonista e dos momentos que vão do sentimentalismo indie ao bom e velho rock’n roll. Como trabalhou sendo produtor musical, David Arnold se permitiu apresentar uma obra com uma trilha sonora própria. E tão própria que o autor chegou a produzir algumas faixas que dão o tom da sua primeira obra e também de seu segundo livro, já programado para sair no próximo ano. Ficou curioso para ouvir as músicas que foram inspiradas pela trama de Mim Malone? É só ir ao site Cinema Cycle e dar o play

E escreva o que estou dizendo: Mosquitolândia é a Alaska de Arnold e ele pode vir ser o próximo John Green de uma geração. Só espero que eles estejam preparados para isso.

Mosquitolândia
Autor: David Arnold
Páginas: 348
Editora: Intrínseca

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance. Além disso, é o dono das colunas de quinta-feira no Barba Feita.
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