8 de set de 2015

One Man Guy, de Michael Barakiva




O primeiro livro que li  em que os protagonistas eram jovens descobrindo-se gays foi O Terceiro Travesseiro, de Nelson Luiz de Carvalho. Já se vão uns bons anos que isso aconteceu, mas lembro que o livro não me agradou muito. Os personagens eram fracos, o triângulo amoroso que guiava a história era risível e um capítulo inteiro foi gasto com escatologia desnecessária. E durante muito tempo pensei que qualquer livro com a temática GLS era no mesmo esquema e me afastava dos títulos. Mas daí conheci o David Levithan que, ao contrário de Nelson Luiz de Carvalho, é um bom autor, e minha opinião mudou, tanto que Levithan é hoje um dos meus autores favoritos e eu já resenhei alguns livros dele aqui para o PdB

E foi David Levithan que abriu o caminho para que eu apreciasse outros livros em que os protagonistas fossem gays ou pessoas descobrindo a própria sexualidade, sem preconceito e disposto a me divertir com histórias tão distintas e, ao mesmo tempo, tão iguais à de tantas pessoas à minha volta. 

É assim que chego à One Man Guy, o último livro que li, do autor Michael Barakiva. Presente especial que recebi de Dia dos Pais dos Gatos (isso é uma longa história), o livro é protagonizado por Alek, um adolescente de origem armênia de 14 anos que, surpreendendo até ele mesmo, se vê apaixonado por Ethan, um jovem e descolado skatista de sua escola. É a história dos dois, junto com a vida de Alek em sua tradicional família armênia, que nos delicia em todas as 272 páginas do livro.

O legal é que Michael Barakiva é um escritor habilidoso. Apesar de One Man Guy ser seu primeiro livro, parece que o autor já domina a literatura para jovens (e adultos que apreciam o gênero), uma vez que a cada capítulo ele nos faz amar mais seus personagens e querer mergulhar mais um pouco em suas tramas. Nos importamos com eles e queremos que seus destinos sejam felizes.

Com personagens bem delineados e histórias envolventes, One Man Guy é daqueles livros que nos fazem querer devorá-lo em uma única leitura. Largar a trama é difícil e mesmo quando chega ao seu final, queremos mais um pouco de história. Mérito total de seu autor, que criou um universo real e possível, mas sob o manto da ficção.

E se você se pergunta porque a editora Leya manteve o título One Man Guy, assim mesmo em inglês ao invés de traduzí-lo, eu esclareço. O título do livro é também o nome de uma música do cantor Rufus Wainwright, de quem Ethan, o jovem gay skatista, é fã. E a música é muito importante na história de Ethan e Alek, fazendo muito sentido que ela seja o nome escolhido por Barakiva para seu primeiro livro. E não é que ela é realmente bonitinha? 

Tratando de questões importantes, como a sexualidade na adolescência, e pincelando um pouco sobre a cultura armênia, o trabalho de estreia de Michael Barakiva é um frescor na literatura jovem e, certamente, agradará a todos aqueles que saibam apreciar um bom livro e uma boa história.

One Man Guy
Autor: Michael Barakiva
Páginas: 272
Editora: Leya

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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