1 de set de 2015

Primeiras Impressões: A Regra do Jogo




JEC is back, babe! 
Os fãs de novela podem agradecer que o tão aguardado retorno de João Emanuel Carneiro finalmente aconteceu. O autor, que conquistou de vez o público brasileiro e mundial com Avenida Brasil (se você não sabe, meu amor, a Revenge brasileira já foi exibida em mais de 130 países. Dois beijos), decidiu apostar naquilo que conhece de melhor: a falsidade humana. Apesar de suas tramas sempre mostrarem que ninguém é aquilo que aparenta ser, JEC (carinhosamente chamado assim por mim e por uma boa parcela dos fãs do gênero) veio com a corda toda para reconquistar toda audiência perdida com aquela que não deve ser nomeada, A.K.A. Babilônia

Mas, no lugar de mulheres se engalfinhando por justiça e vingança, entram os homens. O autor prometeu que A Regra do Jogo será uma novela mais masculina, focada no jogo de poder. Assumo que ao ler algumas entrevistas, essa declaração me assustou um pouco. Afinal, desde que começou a assinar suas novelas, João Emanuel Carneiro colocou a cara no sol e fez suas mocinhas e vilãs caírem no gosto do público. Quem não se lembra de Preta, sua primeira heroína, que comeu o pão que o diabo amassou, mas não se deixou “ahumilhar” por Bárbara ao longo de Da Cor do Pecado? Ou dos incríveis embates entre Leona e Ellen, as duas vilãs de Cobras & Lagartos, e também da virada de jogo de Bel, a inocente mocinha enganada pela prima e o noivo, que possuíam um caso em segredo e queriam roubar todo o seu dinheiro? Pois é, JEC sabe como criar situações em que seus mocinhos são inocentes, mas que ao descobrirem que estavam fazendo papel de trouxa partem para o grande ataque. 

Em A Favorita, primeira novela no horário nobre e também a minha (não tenho como usar outra palavra e adoro um belo trocadilho) FAVORITA do autor, ele decidiu mudar um pouco as regras. O público não sabia quem era mocinha ou vilã. Na realidade, só alguns personagens da história sabiam muito bem disso, mas como a verdade é algo bastante relativo aos olhos de quem vê, o público ficou por três meses preso em um jogo de gato e rato entre duas mulheres que juravam inocência. Muitos acreditaram que a pessoa que foi presa e se dizia injustiçada realmente era a grande vítima do enredo, por sua vez, ganhando ares de mocinha. Do outro lado estava a personagem rica, brega e possessiva, que só podíamos concluir ser a grande vilã, claro. Só que não. Tudo bem, não vou me alongar mais, afinal, hoje todo mundo sabe qual posição ocupavam Flora e Donatela na história. 

Mas o que quero mostrar é que foi ali, com um enredo que de início não atraiu grande atenção do público, que o jogo da verdade foi ganhando um olhar mais apurado nas mãos do autor que, em sua novela seguinte, mudou mais um pouco a questão. Sabíamos quem era mocinha, quem era vilã. Mas a pergunta era: por vingança, a boazinha tem direito de ser uma “vilã”? Talvez sim, talvez não. Foi preciso parar e observar as atitudes de cada uma para perceber que ter justiça e fazer sua própria vingança acaba tendo dois pesos e duas medidas. 

Mas o Brasil de hoje não é o mesmo daquela época em que existiam #TeamCarminha e #TeamNina. A audiência das novelas foi caindo drasticamente. Pode-se dizer que a culpa foi basicamente de produções equivocadas exibidas uma atrás da outra. E se existe um grande teste para um autor de novelas, com toda certeza chegou o momento de João Emanuel Carneiro passar por ele. 


Antes de comentar qualquer detalhe do primeiro capítulo de A Regra do Jogo, quero ressaltar o que vai acontecer nos próximos dias e meses. Mais do que nunca, a trama apresentada será analisada cirurgicamente por aqueles que esperam um fracasso vindo do novo queridinho da audiência. Outro ponto que pode gerar muitas críticas, tanto positivas quanto negativas, vem da vontade apresentada por JEC de se reinventar. Afinal, se o universo feminino é tão sedutor, seria mais fácil recriar outra Nina, Flora, Preta, Bárbara e fazer o arroz e feijão que já deu certo antes e garantiu não só sua popularidade, mas também audiência. Pra quê mexer logo agora em time que está ganhando? 

Só que escolhendo agir como um de seus personagens, de maneira surpreendente, ele decide que é hora de mudar! Os homens são os grandes protagonistas sim e isso ficou bastante claro nesse primeiro capítulo. Admito que, como telespectador, isso me preocupa. Vamos ser honestos por um segundo? O que os homens podem fazer nas novelas além de se manter na posição de mocinho de caráter muito forte ou como os vilões sem escrúpulos que fazem de tudo para roubar a mocinha que tanto desejam? Bem, passei os últimos meses pensando sobre isso e acho que posso responder agora. Historicamente, os homens são responsáveis pelas lutas de poder. Seja no âmbito de ir voluntariamente para uma guerra lutar pelo que acredita, seja no âmbito de promover uma guerra para se ganhar dinheiro. São dois opostos, mas que nascem do mesmo desejo de mandar e de fazer. E diferente do que muita gente imagina, um sorriso masculino pode ser tão enigmático quanto o de Monalisa. Homens também jogam e, muitas vezes, não de maneira tão passional quanto as mulheres, o que faz com que sejam personagens tão intrigantes quanto misteriosos. E isso, ao menos é o que acredito, será mostrado ao longo de A Regra do Jogo

Mas vamos focar no primeiro capítulo, que é pra isso que esse texto foi feito, não é mesmo? Fugindo do que estamos acostumados, a mocinha da trama (não é porque o foco será nos homens que as mulheres não terão sua parte forte na história), Tóia (Vanessa Giácomo), assume ter roubado a boate onde trabalha. Pronto, assim! Seco, sem nem preparar a gente com uma imagem bonita da cidade. A primeira cena já foi uma confissão. E naqueles milésimos de segundo me questionei: “Ué, mas ela não era a mocinha da história?”, "Por que ela tá confessando assim e dizendo que não teve cúmplice nenhum?”, “Será que ela foi obrigada?”, “Por que ela roubou?”. E, com as perguntas e teorias começando a se formar em minha cabeça, o capítulo (ou essa parte da história, ainda é cedo para saber se todo capítulo terá um tema) começou com um título: A Outra Face. Assim, nada melhor do que usar o recurso narrativo das séries de televisão e voltarmos dez dias no tempo para entender como tudo aquilo aconteceu. 

Ao voltarmos no tempo foi possível conhecer de uma só vez o local onde o roubo aconteceu, assim como a promessa de grande vilã (?!) da história: Atena (Giovana Antonelli). Alías, é nesse momento que preciso mandar beijos para a Bárbara de Da cor do Pecado, mas Atena já é diva, meu amor. E dessa maneira foi possível acompanhar de uma só vez os dois opostos da trama. Enquanto Tóia trabalha para batalhar sua sociedade na boate de Adisabeba (Susana LACRADORA Vieira), Atena foca na arte de ficar aplicando pequenos grandes golpes por aí, como roubar o cartão de crédito de uma “amiga” e invadir a casa dessa mesma amiga. Mas vamos focar nos homens dessa história? Afinal, segundo o autor, o enredo é sobre eles. Se de um lado Tóia é a mulher batalhadora, do outro conhecemos seu namorado, Juliano (Cauã Raymond), que jura ser inocente e afirma que foi preso por um crime que não cometeu. Ou seja, ele é uma Flora de pessoa. Ou não. Quem está no outro extremo dessa corda é Romero Rômulo (Alexandre Nero), pagando de bonzinho e humanitário. Um homem que tenta ajudar presos a voltarem para a sociedade, mas que no fim das contas acaba se mostrando um verdadeiro ~Capeta~ em pele de cordeiro. 

Não posso deixar de citar algumas rápidas cenas de MC Merlô (Juliano Cazarré) sem camisa e todo rebolativo, e de Dante (Marcos Pigossi), com uniforme de polícia e dando o toque fetiche do episódio. 


Focando na trama apresentada, pode soar um pouco simples tudo o que aconteceu, mas foi um capítulo que prendeu bastante. Impossível não querer saber como foi que se deu o roubo da boate e o que fez Tóia se entregar para a polícia. Aliás, essa trama é uma das que espero um plot twist bem rápido. Particularmente, não engoli em nada a saída que foi encontrada para justificar o “furto” do dinheiro. Adisabeba aparenta admirar tanto Tóia e aposto que não diria não para a moça caso ela precisasse da grana, ainda mais por um motivo tão nobre quanto o de operar sua mãe doente. Uma das coisas que me deixou com a pulga atrás da orelha foi que Juliano é quem cuidou de todos os tramites da troca do dinheiro com o (falso) médico, ou seja, será esperar demais que seja revelado que Juliano teve culpa na história e que de bonzinho o moço possa não ter nada? E não por ser o verdadeiro vilão da história, mas por colocar sua vingança (que ainda não temos ideia contra quem seja) como total prioridade? 

Outra ponta da narrativa que também já comecei a tecer minhas teorias é sobre Dante e Tóia. Acho que os dois podem ter sido criados pelos responsáveis, direta ou indiretamente, pela morte de seus pais. Muito novelesco? O grande mérito ressaltado por JEC é prender o público com uma história bem contada, não fazer dela “menos novela”. Algumas vezes, o autor mantém o clichê, mas a forma com que decide mostrar isso pra gente é que faz toda a diferença. 

Sim, nem bem o primeiro capítulo acabou e minha cabeça já trabalha em mil teorias diferentes. Mas, no momento, a única certeza que possuo é: você já está preparado para remarcar nos próximos meses as saídas com os amigos para depois da novela? 

E, lembre-se: verdade é algo tão maleável, que serve de costura praticamente para todas as histórias que ouvimos todos os dias, e não só na novela.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance. Além disso, é o dono das colunas de quinta-feira no Barba Feita.
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1 comentários:

Giselle disse...

Não acompanho novela há, sei lá, vidas, mas eu estou com tanta vontade de acompanhar essa, principalmente agora que eu li o seu texto.

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