20 de out de 2015

Love, de Gaspar Noé





Neste último final de semana, conferi o novo longa de Gaspar Noé, o desnecessariamente polêmico Love. O diretor franco-argentino, aclamado por seu filme de 2002, Irreversível, apostou numa pseudo história de amor, regada a muito sexo explícito, para atrair o público às salas de cinema.

O filme erótico de Noé é um pornô com roteiro e com boa intenção, talvez, mas não convence. Trata-se da história de Murphy, um jovem diretor de cinema americano que mora em Paris e, ao conhecer a bela e sensual Electra, uma estudante francesa de arte, embarca em uma relação de alta voltagem sexual.

Love tem narrativa parecida com a de Irreversível, é contado de trás pra frente e de forma fragmentada. Dessa forma, a primeira cena que vemos na telona é um sexo não convencional entre o casal protagonista, Murphy penetra Electra com os dedos, enquanto ela o masturba em uma posição bem diferente. Na cena seguinte, Murphy acorda ao lado de Omi, com quem tem um bebê e divide o mesmo teto.

Agora pai de família, Murphy é um homem amargurado e infeliz, que vive das lembranças do amor desmedido que viveu com Electra. É através dessas lembranças que o filme é contado. Gaspar Noé quis contar uma história de amor dramática e livre de clichês, mas escolheu um viés sexual exagerado e pretensioso. Em mais de duas horas de filme (130 min.), as interessantes e até excitantes cenas de sexo do início, tornam-se exaustivas e despropositadas, como se estivessem ali apenas para preencher o fraco roteiro.



Impossível não lembrar e não comparar Love com outros filmes que tiveram o sexo como ponto forte, mas estavam lá por uma razão primordial e de grande reflexão, como foi o caso de Ninphomaniaca (Volume I e Volume II, ambos de 2014), Azul é a Cor Mais Quente (2013) Shame (2012). O primeiro e o terceiro trataram da ninfomania, o vício em sexo, através de personagens feminino e masculino respectivamente, de maneira envolvente e satisfatória. Já o segundo, tratava-se da história de amor entre duas mulheres e numa longa cena, de incríveis 7 minutos de sexo entre as protagonistas, considerada por muitos abusiva, pudemos mergulhar na intensa paixão das garotas.

Infelizmente, Love não nos provoca nada, a não ser cansaço e um certo fastio. Além de um 3D absolutamente desnecessário e irritante, que serve apenas para aumentar absurdamente o valor do ingresso.

A intérprete de Electra, a atriz Aomi Muyock, é interessante, lembrando em muitos momentos Angelina Jolie. Já o ator Karl Glusman, que faz Murphy, é pouco atraente, mas tem um pênis interessante. Ambos, juntamente com Klara Kristin, a Omi, fazem uma das mais memoráveis cenas de ménage à trois que já vi no cinema. E apesar de tudo, Gaspar Noé não pode ser acusado de machista ou explorador do corpo feminino, pois quem reina nos closes frontais é mesmo o membro do protagonista, filmado de vários ângulos.

De qualquer forma o diretor de ótimos filmes até aqui, terá que se esforçar mais para que seu próximo projeto supere o impactante Irreversível, porque dessa vez deu ruim.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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