6 de out de 2015

Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo, de David Levithan e Rachel Cohn





Eu já fui até mesmo redundante ao declarar aqui meu amor pelos livros de David Levithan. O autor americano é expert em me fazer vibrar com suas histórias e, desde que li seu primeiro livro, Todo Dia, é sempre uma diversão cercada de expectativas encontrar um novo trabalho do autor, seja em carreira solo (como é o caso do excelente Dois Garotos Se Beijando, do qual falei aqui recentemente) ou em parceria com outros autores (caso do livro que origina esse texto).

Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo é, dessa forma, um livro atípico na minha lista de obras do autor. Porque, para mim, ele entra logo na posição do que menos gostei entre todos que li. Entenda, o livro não é ruim (principalmente se comparado à maioria dos livros para jovens que já li nessa vida), mas está longe de ser uma obra-prima como os demais livros que já li e que levavam a assinatura de Levithan. E, que me desculpe Rachel Cohn, acho que o problema é exatamente esse: há muito pouco de David Levithan nesse livro e, mesmo não tendo lido nada antes de Cohn, acredito que esse seja um caso em que a autora coadjuvante é a verdadeira dona da história e o nome mais famoso entra como co-autor apenas para alavancar as vendas. Capitalismo, sabemos que é assim.

Aqui acompanhamos a história de Naomi e Ely, dois jovens universitários de Nova York, que cresceram juntos em uma zona rica e privilegiada da Big Apple. Amigos desde a infância, existe entre os dois a química natural de uma longa amizade que, pelo menos para Naomi, mascara um outro sentimento, já que ela é apaixonada pelo melhor amigo. Só tem um problema: Ely é gay, muito gay!

Mesmo sabendo da sexualidade do amigo, Naomi, entretanto, nunca deixou de fantasiar que sua primeira vez seria com Ely e que eles acabariam se casando um dia. E, sendo fag hag exclusiva de Ely, é óbvio que ela vive se magoando com as conquistas do amigo que, claro, pega homens, como ela. Exatamente por isso, os dois acabam criando a Lista do Não Beijo, onde constam os nomes das pessoas que ambos estão proibidos de beijar, a fim de não estragar a amizade que possuem. Até que um belo dia Ely fica com Bruce, o Segundo, o atual namorado de Naomi, cujo nome não constava na Lista do Não Beijo. Você pensou em confusão à vista, né? Acertou!

Apesar de eu não considerar esse o melhor trabalho com o nome de Levithan, ele não é de longe um livro ruim. A história prende, os personagens são divertidos e cativantes e a gente se deixa levar pela narrativa que é engenhosa ao apresentar, a cada capítulo, a visão de algum dos personagens do livro, mas não apenas dos dois protagonistas. Assim, é claro que temos capítulos narrados por Naomi (os que acho mais bobos) e por Ely, mas temos também outros centrados em Bruce, o Segundo e diversos outros personagens, cuja participação na história pode ser ou não impactante no rumo dos acontecimentos da vida dos dois protagonistas.

Divertido e descompromissado, Naomi & Eli e a Lista do Não Beijo rendeu até mesmo uma versão cinematográfica. O filme, estrelado por Victoria Justice e Pierson Fode, estreou nos EUA no dia 17 de julho, no Outfest Los Angeles LGBT Film Festival, mas ainda sem previsão de lançamento no grande circuito.


Se você é, como eu, fã de David Levithan e seus trabalhos, leia Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo, mas vá preparado: é uma ótima história, mas não a melhor do autor. Mas, sendo um bom livro, isso nem importa tanto, não é mesmo?

Autores: David Levithan e Rachel Cohn
Páginas: 256
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter


0 comentários:

Share